Ocidente e países árabes reforçam ajuda financeira a rebeldes líbios

Mas líder rebelde se mostra decepcionado após Itália, França e Kuwait prometerem quase R$ 1,9 bilhão, dizendo que esperava ajuda maior

iG São Paulo |

AP
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, encontra-se em Abu Dhabi com Mahmoud Jibril, presidente do burô executivo do conselho nacional de transição da Líbia
Países ocidentais e árabes envolvidos na campanha militar na Líbia prometeram dinheiro para um novo mecanismo de financimento para os rebeldes que combatem o regime de Muamar Kadafi, aumentando a pressão internacional sobre o líder líbio.

Em conjunto, três países anunciaram uma ajuda de quase US$ 1,2 bilhão (quase R$ 1,9 bilhão): a Itália prometeu US$ 586 milhões, enquanto a França US$ 420 milhões e o Kuwait US$ 180 milhões. Os rebeldes líbios disseram precisar de US$ 3 bilhões durante os próximos quatro meses. Fathi al-Baaji, um dos líderes da rebelião, mostrou-se decepcionado. "Esperávamos uma ajuda financeira mais importante", disse.

Os anúncios foram feitos durante a terceira reunião do chamado Grupo de Contato - que inclui EUA, França e Grã-Bretanha, além de Estados árabes aliados, como o Catar, Kuwait e Jordânia - em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde discutiram como devem evoluir os eventos na Líbia quando Kadafi não estiver mais no poder. O grupo está pressionando os rebeldes a apresentar um plano de governo no caso de Kadafi deixar o cargo ou ser destituído.

Presente no encontro, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou que "várias e contínuas discussões sobre uma transição de poder" estão ocorendo entre pessoas próximas a Kadafi.

Antes do encontro, Hillary afirmou que os dias do regime líbio estão contados. "Os dias de Kadafi estão contados . Trabalhamos com nossos associados internacionais dentro da ONU para preparar o inevitável: a Líbia da era posterior a Kadafi", afirmou Hillary em uma declaração cujo texto foi distribuído para a imprensa. Na reunião, Hillary anunciou um adicional de US$ 26 milhões em ajuda assistencial dos EUA para as vítimas do conflito.

A chefe da diplomacia americana também afirmou  que o Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político da rebelião, é o "representante legítimo do povo líbio", e que este órgão deverá receber os fundos da Líbia que foram congelados. "Estamos dispostos a dar os fundos (congelados) ao CNT mediante a criação do novo mecanismo financeiro", afirmou.

O encontro ocorre em meio à intensificação dos ataques aéreos da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na capital líbia, Trípoli. Os ataques aéreos foram retomados na quarta-feira à noite depois de um intervalo que se seguiu ao pior dia de bombardeios desde o início da campanha militar, em março. Novas explosões abalaram a capital na manhã desta quinta-feira.

Antes do encontro, o ministro do Petróleo e das Finanças da rebelião líbia, Ali Tarhuni, disse nesta quinta-feira em Abu Dhabi que a rebelião começará a produzir em breve 100 mil barris de combustível diários, sem especificar um cronograma. Ele pediu mais ajuda, imediatamente. "Em breve começaremos a produzir 100 mil barris diários", disse Tarhuni.

Na quarta-feira, autoridades da Otan descartaram que a Aliança Atlântica envie tropas terrestres na Líbia para manter a ordem depois que a atual guerra civil terminar, deixando para a ONU a tarefa de ajudar o país a realizar sua transição democrática assim que Kadafi não estiver mais no poder.

O secretário-geral da organização, Fogh Rasmussen, fez a declaração após reunião com os ministros de Defesa dos 28 Estados-membro da aliança. "Para Kadafi, não é mais uma questão se ele sairá, mas quando", disse. "Pode levar semanas, mas pode acontecer amanhã e, quando ele for, a comunidade internacional tem de estar preparada."

Rasmussem afirmou que a organização não vê um papel de liderança da Otan na Líbia assim que a crise terminar. "Vemos a ONU desempenhando um papel central no cenário pós-Kadafi e pós-conflito", disse. Os ministros da Defesa dos países-membros da Otan se reuniram na sede da organização em Bruxelas.

*Com AFP, EFE, Reuters e BBC

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