Observadores da Liga Árabe visitam mais cidades na Síria

Missão se encaminha nesta quinta-feira para Hama, Idlib e Daraa, redutos de confrontos entre manifestantes e as forças do governo

iG São Paulo |

A missão de observadores da Liga Árabe se dirigiu nesta quinta-feira a outras três cidades sírias para verificar se o governo de Bashar al-Assad retirou as forças de segurança dessas áreas e se vem cumprindo com um plano de paz firmado com a entidade.

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AP
Desertores do Exército sírio posicionam seus rifles enquanto se escondem atrás da parede de uma casa na região de Baba Amr (19/12)

Os observadores se dividiram em equipes de cerca de dez integrantes cada e viajaram para Hama, Idlib e Daraa, onde os manifestantes contra o atual governo continuam a confrontar agentes de segurança, que abriram fogo e deixaram mortos nesta quinta-feira.

Na quarta-feira, depois que a delegação esteve em Homs , epicentro das revoltas contra Assad, a cidade foi palco de protestos de uma multidão que exigia proteção internacional.

O líder da missão provocou controvérsia na quarta-feira ao declarar que a situação de Homs é "tranquilizadora até agora" e que não presenciou "nada assustador" durante sua visita. O general sudanês Mustafa al-Dabi depois disse que precisava de mais tempo para fazer uma avaliação adequada sobre a cidade, alvo de ataques das forças do governo nos dias que precederam a chegada da delegação.

Grupos de direitos humanos criticaram a indicação de Dabi para liderar a missão da Liga Árabe, afirmando que é impossível imaginar que alguém que teve postos graduados no Exército e no governo do Sudão, incluindo na região de Darfur, possa alguma vez recomendar uma forte ação contra Assad.

O presidente sudanês, Omar al-Bashir, foi indiciado pelo Tribunal Penal Internacional por genocídio e crimes contra a humanidade em Darfur. A Liga Árabe defendeu a escolha de Dabi com o argumento de que ele tem um conhecimento militar e diplomático vital.

Assim como ocorreu em Homs, é provável que os observadores encontrem protestos em Daraa, Hama e Idlib, em seu terceiro dia de missão. Os manifestantes em Hama, localizada ao norte de Homs, tentaram por dois dias levar sua mobilização ao centro da cidade, mas foram dispersados pelos agentes de segurança que usaram bombas de gás lacrimogêneo e munição real.

Um ativista entrevistado pela BBC disse que era quase impossível conversar com os observadores sem que as autoridades sírias ficassem sabendo. "Nós não podemos nos comunicar com os inspetores. Eles são observados por todo o tempo pelos bandidos do regime e por militares", disse. "Se eles me vissem falando com eles... eles iriam atrás de mim e, se eu fosse pego, com certeza seria morto."

Segundo a Reuters, outro ativista disse que as pessoas estavam indo às ruas de Hama para aguardar pela chegada da delegação. Testemunhas relataram também que a cidade estava repleta de atiradores em telhados.

A violência, segundo a BBC, também toma conta de Idlib. Em Daraa, nesta quinta-feira, rebeldes atiraram contra um comboio do Exército matando quatro soldados, informaram ativistas. Embora as manifestações contra Assad tenham tido um início pacífico em março, o conflito escalonou para o que a ONU classificou como guerra civil , uma vez que desertores do Exército sírio têm realizado uma luta armada contra o governo.

A AFP informou que alguns observadores visitarão também nesta quinta-feira o distrito de Gen Dabi, próximo à capital, Damasco.

Violência

Segundo a CNN, as forças de segurança abriram fogo contra um protesto em um subúrbio de Damasco nesta quinta-feira, enquanto monitores da Liga Árabe chegavam ao local.

Mais de 20 manifestantes ficaram feridos na região da Grande Mesquita em Douma, assim que os observadores foram vistos no prédio da prefeitura, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos. De acordo com ativistas ouvidos pela AP, pelo menos quatro morreram na repressão.

O Comitê de Coordenação Local, outro grupo ativista da oposição, afirmou que, somente nesta quinta-feira, 21 civis foram mortos em todo o país, apesar da presença dos observadores.

Ao menos 40 pessoas foram mortas nos últimos dois dias da missão observadora. Os números são imprecisos, uma vez que nenhum órgão de imprensa internacional tem permissão para entrar no país.

AP
Médico sírio trata dois civis feridos pelos disparos do Exército na região de Baba Amr, em Homs (26/12)

Suposto ataque

O presidente do opositor Conselho Nacional Sírio (CNS), Burhan Goleeon, afirmou nesta quinta-feira que a equipe de observadores que visitou nos últimos dois dias a cidade de Homs, no centro da Síria, foi alvo de disparos, embora os moradores os tenham protegido.

"Os observadores foram alvo de disparos no bairro de Khalediya e foi o povo sírio quem os protegeu e os acolheu em suas casas", afirmou Goleeon em declarações à imprensa na sede da Liga Árabe no Cairo depois de se reunir nesta quinta-feira com seu secretário-geral, Nabil el-Araby. Goleeon não detalhou quem foram os autores dos disparos nem quando aconteceu o suposto fato.

A Síria recebeu até o momento ao menos 66 observadores, mas é esperado que esse número cresça para 200 ou 300. Sua missão é garantir que Damasco cumpra com o prometido no acordo com a Liga Árabe, que é retirar as forças de segurança e os tanques das ruas, além de abrir diálogo com a oposição. As autoridades da Síria prometeram que os monitores terão plena liberdade de movimentação no país.

Na quarta-feira, a Síria libertou 755 manifestantes detidos durante o levante, e a TV estatal garantiu que suas "mãos não estavam manchadas com sangue". A ONU afirma que 14 mil pessoas são mantidas nas prisões por conta das revoltas, que deixaram 5 mil mortos.

Grupos ativistas, no entanto, garantem que a cifra de manifestantes presos é bem maior e a coloca em cerca de 40 mil. O presidente Assad afirma que as forças estão combatendo gangues armadas e que mais de 2 mil agentes da segurança foram mortos.

Com EFE e Reuters

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