Observadores da Liga Árabe chegam à cidade síria de Homs

Antes da chegada de ao menos 12 analistas da equipe de 50 que desembarcou no país na 2ª, tanques foram retirados do reduto opositor

iG São Paulo |

Os observadores da Liga Árabe chegaram nesta terça-feira à cidade de Homs, no centro da Síria, uma das mais castigadas pela repressão das forças de segurança contra o levante de nove meses antigoverno, para avaliar a situação no terreno.

AFP
Imagem reproduzida de vídeo amador mostra tanque sírio em rua na cidade de Homs um dia antes de visita de observadores da Liga Árabe (26/12)
A visita ocorre um dia depois de 50 observadores , liderados pelo general sudanês Mohammed Ahmed Mustafa al-Dabi, chegar ao país . Dirigiu-se a Homs uma delegação formada por entre 12 e 15 analistas. Antes da chegada dos observadores, tanques do Exército sírio se retiraram de Homs. Nas 24 horas antes da saída dos blindados, ao menos 23 pessoas foram mortas na cidade, segundo ativistas da oposição.

Leia também: Síria assina acordo que permite entrada de missão da Liga Árabe

De acordo com o canal de televisão privado Dunia, os observadores se reuniram com o governador de Homs, Ghasan Abdel Al. Sem revelar as datas, a emissora afirmou que, além de Homs, a missão da Liga Árabe também pretende visitar Hama (norte) e Idleb (noroeste).

Os observadores têm a missão de verificar se as autoridades sírias cumprem com os pontos da iniciativa proposta pela Liga Árabe para tentar pôr fim à crise. O plano prevê o fim da violência, a libertação dos detentos, a saída do Exército das cidades e a livre circulação no país para os observadores e a imprensa.

Apesar da chegada do grupo à cidade, os ataques continuam nesta terça-feira em Homs, com ao menos três mortos na repressão das forças leais ao presidente Bashar al-Assad, de acordo com os opositores dos Comitês de Coordenação Local. O ativista da oposição Sherin Qabbani detalhou que houve ações em ao menos dois bairros, onde os carros de combate do Exército presentes no local foram escondidos por causa da visita dos observadores.

Outro grupo opositor, o Observatório Sírio de Direitos Humanos, acrescentou que nesta manhã um de seus ativistas avistou 11 carros de combate deixando o bairro de Baba Amro em "uma clara tentativa", disse, de esconder a presença ostensiva desses equipamentos dos observadores. Os carros foram levados para prédios próximos do governo.

As informações não podem ser comprovadas de forma independente pelas restrições impostas pelas autoridades sírias ao trabalho da imprensa. Homs e a província do mesmo nome são os principais redutos da oposição síria, onde nos últimos dias se intensificou a repressão dos protestos contra o governo por parte das forças leais ao regime, com mais de 30 mortos na segunda-feira.

Há dois dias, o Conselho Nacional Sírio (CNS), principal órgão da oposição, pediu aos observadores que visitassem imediatamente Homs, que sofre "uma ameaça real de genocídio e de crimes contra a humanidade". Desde o início dos protestos em meados de março, a repressão deixou mais de 5 mil mortos na Síria , segundo a ONU.

O regime afirma que a violência é responsabilidade de "grupos armados" que tentam espalhar o caos no país, afirmando que os confrontos mataram 2 mil soldados.

*Com EFE, AFP e Reuters

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