Obama pede a Egito uma transição que conduza a eleições "justas"

Em entrevista a canal de TV, Obama volta a solicitar eleições livres e enfatiza que transição deve começar "agora"

iG São Paulo |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a solicitar uma transição ordenada no Egito que conduza a eleições "livres e justas", em uma entrevista ao canal de televisão "Fox News".

"O povo egípcio quer liberdade, eleições justas e livres, quer um Governo representativo (...) Dissemos que têm que começar a transição agora", declarou Obama. Obama evitou comentar se acredita que Mubarak vai renunciar e se limitou a dizer que "só ele sabe o que vai fazer".

Por sua vez, a chefe da diplomacia americana, Hillary Clinton, pediu neste domingo ao Egito que inclua um amplo leque de atores políticos e da sociedade civil no processo em transição.

O Departamento de Estado informou em comunicado que Hillary conversou na noite de sábado com o primeiro-ministro egípcio, Ahmed Shafiq e que ela ressaltou "a necessidade de garantir que as aspirações legítimas do povo egípcio" sejam atendidas. A secretária de Estado acrescentou que os episódios de abusos e detenção de jornalistas, ativistas e outros elementos da sociedade civil "devem acabar".

O Brasil também se manifestou hoje sobre os protestos no Cairo . O secretário-geral da presidência, Gilberto Carvalho, afirmou em Dacar, no Senegal, na abertura do 11º Fórum Social Mundial (FSM), que os protestos realizados na Tunísia e no Egito nos últimos dois meses devem resultar em mudanças profundas.

"Claro que respeitamos a autonomia de cada país, mas temos uma expectativa muito forte de que de fato surja nesses países novos governos."

Questionado pelo Estado se o governo defendia a renúncia de Mubarak, após 30 anos de poder, Carvalho foi comedido. "Não queremos fazer uma intervenção direta nesse momento. Mas os movimentos sociais se mostram tão fortes que seria muito importante nesse momento uma atitude do presidente Mubarak evitando a violência e abrindo a possibilidade para novas eleições."

Criação de comitê

Neste domingo, participantes do diálogo entre o governo egípcio e vários grupos da oposição - no qual esteve presente a Irmandade Muçulmana - decidiram formar um comitê encarregado de realizar reformas constitucionais, antes da primeira semana de março, anunciou o porta-voz do governo, Magdi Radi.

As conversações, com representantes da oposição e personalidades independentes, haviam sido convocadas pelo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman.

Houve consenso "sobre a formação de um comitê que contará com o Poder Judiciário e um certo número de personalidades políticas, para estudar e propor as emendas constitucionais e legislativas que se fizerem necessárias", anunciou Radi.

A Irmandade Muçulmana, maior grupo de oposição do Egito que esteve presente nas manifestações realizadas desde 25 de janeiro para exigir a renúncia do presidente Hosni Mubarak, no entanto, mostrou-se insatisfeito com o acordado e disse considerar a reforma da Constituição insuficiente , diante das demandas feitas ao governo.

Praça lotada

A reabertura dos bancos, comércio e de empresas, a redução dos bloqueios e o retorno da polícia para as ruas do Cairo não resultaram em diminuição do número de pessoas na praça Tahrir (da Libertação) neste domingo (6), dia útil no país. A medida do governo pretendia fazer as pessoas voltarem à rotina e esvaziar o movimento que, desde o dia 25, pede a renúncia do presidente Hosni Mubarak, no poder desde 1981.

Na tarde de domingo, porém, a praça reúne ao menos centenas de milhares, em um dos seus dias mais cheios. A questão agora é quem tem mais resistência: os manifestantes ou o governo.

Desertas até sábado, as avenidas da cidade estavam novamente repletas de carros e transeuntes. O trânsito voltou à sua normalidade, com engarrafamentos, confusão e buzinas constantes. Pela manhã, havia fila na entrada dos bancos, fechados desde o dia 27.

Policiais vestidos de preto e portando fuzis AK-47 voltaram a patrulhar as ruas, mas o clima era de tranqüilidade na capital egípcia. Muitas pessoas circularam pelo centro o dia inteiro, boa parte delas a caminho da praça símbolo do que os manifestantes chamam de “revolução”.

*Com informações da EFE e reportagem de Raphael Gomide, enviado do iG ao Cairo

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