Obama: 'Estamos fechando o cerco em torno de Kadafi'

Presidente americano disse que mundo tem obrigação de evitar massacre semelhante ao dos Bálcãs nos anos 90

iG São Paulo |

O presidente americano, Barack Obama, disse nesta sexta-feira que os Estados Unidos e aliados estão "fechando o cerco" em torno do líder líbio, Muamar Kadafi, e que a opção de zona de exclusão aérea para prevenir ataques das forças de Muamar Kadafi contra rebeldes líbios continua sendo uma opção.

"Em meio a tudo isso, estamos fechando o cerco em torno de Kadafi. Ele está cada vez mais isolado internacionalmente", disse Obama. "O principal é que não tomei nenhuma decisão fora da mesa (de negociações). Acredito que isso é importante para entender que nós nos movemos com rapidez como uma coalizão internacional".

AP
Obama concedeu entrevista coletiva na Casa Branca, nesta sexta-feira
Também nesta sexta-feira, Obama disse o mundo tem a "obrigação" de evitar um massacre de civis na Líbia, semelhante ao de Ruanda ou ao dos Bálcãs nos anos 90.

"Não apenas os Estados Unidos, mas a comunidade internacional toda, têm a obrigação de fazer o que puderem para evitar que se repita o que ocorreu nos Balcãs nos anos 90 ou em Ruanda", disse.

O presidente americano explicou que interromper as mortes de civis é a razão pela qual o Ocidente começou a vigiar continuamente o espaço aéreo da Líbia.

Questionado sobre o aumento de preços do petróleo e derivados, decorrentes da crise nos países árabes, Obama disse os EUA estão preparados para utilizar suas reservas de petróleo, ante a alta de preços, mas indicou que isso ainda não era necessário por enquanto, apesar do clima de tensão no Oriente Médio. "Todos devem saber que, se a situação o exigir, estaremos prontos para recorrer a nosso estoque estratégico," explicou.

UE

Também nesta sexta-feira, líderes da União Europeia fizeram uma reunião de emergência nesta sexta-feira para discutir a crise na Líbia e encontrar uma posição comum para os problemas políticos e humanitários decorrentes, enquanto forças leais a Muamar Kadafi intensificam a ofensiva contra os rebeldes e lutam para retomar o controle de cidades nas mãos de forças opositoras.

Na reunião em Bruxelas, líderes dos 27 países-membros disseram que Kadafi deve entregar o poder. A França pediu que outros Estados sigam a sua posição de reconhecer os rebeldes líbios como governo legítimo da Líbia, mas não obteve o apoio esperado.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso pediu a saída de Kadafi. "Quando se trata de Líbia, o problema tem um nome: Kadafi. Ele tem de sair". Já a chanceler alemã, Angela Merkel, disse que "alguém que promove uma guerra contra seu próprio povo não é parceiro para negociações com a União Europeia". "Assim, nós pedimos a renúncia imediata de Kadafi", enfatizou.

A União Africana reiterou sua rejeição de qualquer intervenção estrangeira militar na Líbia. Os EUA, na quinta-feira, indicaram que não consideram mais Kadafi líder legítimo da Líbia ao suspender as relações com sua embaixada em Washington e ao encarregar a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de se reunir com a oposição líbia .

Confrontos

Nesta sexta-feira, ataques aéreos foram feitos na cidade petrolífera de Ras Lanuf, com uma área residencial e uma refinaria sendo atingidas. De acordo com os rebeldes, forças leais a Kadafi entraram na cidade por barco e em tanques. "Quatro barcos transportando 40 e 50 homens cada chegaram aqui. Estamos combatendo eles agora", disse um porta-voz rebelde Mohammed al-Mughrabi, sem dizer exatamente onde ele estava localizado. A cidade estratégica esteve por dias nas mãos de forças da oposição, que ainda controla o centro da cidade e a maior parte de áreas residenciais.

Choques entre opositores e forças do governo também aconteceram em Zawiya, perto da cidade de Uqaylah e em Brega. As forças do governo, com superioridade aérea e grande vantagem em tanques e armamentos militares, parecem ter retomado suas energias no conflito que já dura três semanas.

Oficiais das Nações Unidas disseram que crianças estão sendo recrutadas como soldados para lutar ao lado das forças leais a Kadafi, prática que é considerada crime de guerra. O porta-voz da Unicef, Marixie Mercado, se disse preocupado com as evidências de que crianças estariam entre os mercenários recrutados por Kadafi. Segundo ele, os menores seriam do Chade, Níger e da região de Darfur, no Sudão, lugares que mantém crianças como soldados.

Kadafi ameaçou se retirar da "aliança internacional contra o terrorismo" e se abster de controlar o fluxo migratório rumo à Europa. A ameaça está contida na mensagem de Kadafi divulgada pela agência oficial líbia Jana, dirigido aos líderes europeus que nesta sexta-feira se reúnem em Bruxelas para analisar a crise no país.

No texto, Kadafi diz que a Europa deve apoiar a Líbia porque o regime de Trípoli "continua lutando contra os grupos da Al Qaeda que atuaram de repente em algumas cidades líbias", assumindo seu papel de "membro da aliança internacional contra o terrorismo". "Esta aliança deve respaldar as autoridades da Líbia em sua luta contra a Al-Qaeda para que o país continue sendo um ponto seguro no norte da África". A nota afirma ainda que, se o apoio for mantido, a Líbia continuará contendo "as ondas migratórias da África rumo à Europa".

Refugiados

Nesta sexta-feira, um total de 134 imigrantes procedentes do norte da África que viajavam a bordo de duas embarcações foram socorridos pela guarda policial na costa da ilha italiana de Lampedusa. Os imigrantes foram transferidos a Lampedusa, que nos últimas semanas recebeu um grande fluxo migratório devido a sua proximidade às costas da África, onde nas últimas semanas se registraram importantes crises políticas em países como Tunísia, Egito e, sobretudo, Líbia.

A ONU alertou que refugiados da Líbia são esperados para chegar também à Romênia nas próximas semanas. Desde o início da crise na Líbia, mais de 250 mil pessoas fugiram da Líbia para países vizinhos. Mais de 137,4 mil cruzaram a fronteira com a Tunísia, enquanto 107,5 mil saíram pelo Egito, 5,4 mil foram para Argélia e 2,2 mil para a Nigéria.

AFP
Reblede líbio na cidade estratégica de Ras Lanuf, na Líbia
* Com AFP, AP e Reuters

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