Obama diz confiar que EUA transferirão em breve comando na Líbia

Líder dos EUA faz lobby para entregar liderança de ação por querer evitar envolvimento de Washington em mais um país muçulmano

iG São Paulo |

O presidente americano, Barack Obama, disse nesta terça-feira não ter nenhuma dúvida de que os EUA poderão transferir a uma coalizão internacional o controle da operação na Líbia dentro de alguns dias. A declaração foi feita durante viagem a El Salvador, a última etapa de um giro pela América Latina que também incluiu o Brasil e Chile .

Nos últimos dias, Obama e outras autoridades americanas insistiram que o papel militar dos EUA será reduzido nos próximos dias, enquanto outros países começam a realizar ataques aéreos com o objetivo de deter as forças leais ao líder Muamar Kadafi.

AP
Os presidentes dos EUA (E), Barack Obama, e de El Salvador, Mauricio Funes (D), cumprimentam-se no Palácio Nacional em El Salvador
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ainda tem de se posicionar para assumir a liderança, e a França propôs que seja criada uma comissão para supervisionar a operação. Em El Salvador, o líder americano afirmou que já houve "redução significativa" dos voos americanos sobre a Líbia.

A caminho de El Salvador, Obama, que tem feito um pesado lobby para entregar o comando das operações para os aliados em dias, conversou sobre as operações no país do norte da África com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e com o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron. Os três líderes chegaram ao consenso de que a Otan deve passar a desempenhar um "papel fundamental" nas operações na Líbia, no mesmo dia em que a aliança militar anunciou o início de sua participação na ofensiva.

Apesar disso, ainda não há indicação de quando a Otan teria um papel mais importante nos ataques contra a Líbia que, no momento, vem sendo conduzidas por uma coalizão formada por EUA, França, Reino Unido, Canadá e Itália. Nesta terça-feira, a Espanha anunciou que se uniu ao esforço militar.

Em Bruxelas, o secretário-geral da organização, Anders Fogh Rasmussen, anunciou que a Otan passará a fiscalizar o embargo de armas imposto à Líbia, mobilizando “navios e aviões no Mediterrâneo central” para “monitorar, relatar e, se necessário, interditar embarcações suspeitas de carregar ilegalmente armas ou mercenários”.

A diplomacia pessoal de Obama destaca que a capacidade de comando e controle da Otan será central para o desdobramento da campanha contra as forças de Kadafi, que começou com ataques aéreos no sábado com o objetivo de proteger civis.

Buscando fortalecer o apoio internacional para a operação, Obama telefonou para líderes da Europa e do Oriente Médio e salientou que a Otan deve assumir um papel de coordenação, já que ele pretende evitar que as forças dos EUA se envolvam em outro país muçulmano, depois do Iraque e do Afeganistão.

Por causa da situação na Líbia, o líder americano encurtará em cerca de duas horas horas sua visita a El Salvador para antecipar seu retorno a Washington, informou nesta terça-feira a Casa Branca. Após uma conversa do presidente com sua equipe de Segurança Nacional, foi definido que ele voltará às 11h locais (13h de Brasília), em vez das 13h30 (15h30 de Brasília) previstas no programa original.

*Com AP, Reuters, BBC e EFE

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