Obama critica discurso de Mubarak e pede transição clara no Egito

Presidente americano diz que líder egípcio precisa explicar se transição é "imediata, significativa ou suficiente"

BBC Brasil |

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira que o governo do Egito ainda precisa levar adiante uma trajetória "verossímil, concreta e inequívoca" rumo à democracia e deve agir rapidamente para explicar as mudanças políticas no país.

"O povo egípcio foi informado de que houve uma transição de autoridade, mas ainda não está claro se essa transição é imediata, significativa ou suficiente", disse Obama, em um comunicado divulgado pela Casa Branca poucas horas após um pronunciamento do presidente egípcio, Hosni Mubarak.

Segundo o presidente americano, muitos egípcios ainda não estão convencidos de que o governo é sério em suas intenções sobre uma transição genuína para a democracia.

"E é responsabilidade do governo falar claramente ao povo egípcio e ao mundo. O governo egípcio deve levar adiante uma trajetória verossímil, concreta e inequívoca rumo à democracia genuína, e eles ainda não aproveitaram essa oportunidade", disse.

"Nós instamos ao governo egípcio que aja rapidamente para explicar as mudanças que foram feitas, e para comunicar em uma linguagem clara e inequívoca o processo passo a passo que irá levar à democracia e ao governo representativo que o povo do Egito busca", afirmou.

Mubarak

As declarações de Obama foram feitas depois que o presidente egípcio, contrariando as expectativas, não renunciou ao cargo, e apenas prometeu entregar o poder ao vencedor das eleições presidenciais programadas para setembro.

Mubarak, que governa o Egito há quase 30 anos, disse que irá transferir parte de seus poderes ao vice-presidente, Omar Suleiman, mas não especificou que poderes exatamente.

Obama assistiu ao pronunciamento de Mubarak, transmitido ao vivo pela TV, e logo após se reuniu com sua equipe de segurança nacional.

À tarde, antes do pronunciamento do líder egípcio, quando circulavam boatos de que Mubarak poderia renunciar ainda nesta quinta-feira, o presidente americano chegou a dizer que o mundo testemunhava um momento histórico, em que uma nova geração de egípcios exigia que suas vozes fossem ouvidas.

No comunicado divulgado à noite, Obama voltou a dizer que o futuro do Egito será determinado pelo povo egípcio, mas disse que os Estados Unidos têm sido claros sobre "princípios fundamentais" que defendem.

"Nós acreditamos que essa transição deve demonstrar imediatamente uma mudança política irreversível e um caminho negociado rumo à democracia", afirmou. "Com esse fim, nós acreditamos que o estado de emergência deve ser suspenso", disse Obama, repetindo um pedido já feito pelo governo americano.

"Nós acreditamos que negociações significativas com a oposição e a sociedade civil egípcia devem abordar as questões centrais confrontando o futuro do Egito: a proteção dos direitos fundamentais de todos os cidadãos, a revisão da Constituição e de outras leis para demonstrar mudança irreversível, e o desenvolvimento conjunto de um plano para eleições que sejam livres e justas."

Violência

O presidente americano pediu ainda que todas as partes envolvidas evitem a violência e que o governo responda às aspirações do povo "sem repressão ou brutalidade". A ONU estima que cerca de 300 pessoas tenham morrido nos protestos pela saída imediata de Mubarak, que chegaram ao 17º dia nesta quinta-feira.

Logo após o pronunciamento de Mubarak, os manifestantes reagiram com fúria. A multidão concentrada na Praça Tahrir, no centro do Cairo, principal palco dos protestos, começou a erguer seus sapatos, um sinal de desagravo no mundo árabe, e a gritar pela saída de Mubarak.

Obama afirmou ainda que os Estados Unidos continuarão a ser "um amigo" do Egito. "Nesses tempos difíceis, eu sei que o povo egípcio vai perseverar, e eles devem saber que vão continuar a ter um amigo nos Estados Unidos", disse.

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