NYT: Obama negocia renúncia de presidente do Egito

Segundo jornal, governo americano quer que vice-presidente Omar Suleiman lidere governo interino até as eleições de setembro

iG São Paulo |

O jornal americano "The New York Times" afirmou nesta sexta-feira que a Casa Branca discute com autoridades egípcias uma proposta para que Mubarak renuncie imediatamente e entregue o poder a um governo de transição liderado pelo vice-presidente Omar Suleiman.

Reuters
Milhares de egípcios se reúnem na prala Tahrir, no centro do Cairo, para o "Dia da Saída"

Segundo o jornal, funcionários do governo americano e fontes diplomáticas árabes que não quiseram ser identificadas garantiram que Washington e Cairo mantêm conversas para um plano no qual Suleiman assumiria o controle do país.

De acordo com a proposta, Suleiman contaria com o respaldo do chefe das Forças Armadas, Sami Enan, e do ministro da Defesa, Mohamed Hussein Tantawi. O governo interino incluirira integrantes de diferentes grupos de oposição, incluindo a Irmandade Muçulmana, principal força opositora do Egito, até que eleições fossem convocadas em setembro.

Para se manter no poder, Mubarak indicou ser o único capaz de evitar o caos no país. Em entrevista à rede ABC nesta quinta-feira, o líder disse que deseja deixar o poder, mas teme o caos que pode ocorrer caso o faça.

O ditador egípcio afirmou "estar cheio de ser presidente", mas teme que o país afunde no caos", informou a repórter da ABC Christiane Amanpour, depois de 20 minutos de entrevista no Cairo.

"Não me importo com o que as pessoas dizem de mim. Agora eu estou preocupado com o meu país, eu me importo com o Egito", disse Mubarak, no décimo dia seguido de protestos contrários ao governo. "Estou muito triste com (o que aconteceu) ontem. Não quero ver os egípcios lutando entre si", disse sobre os choques entre manifestantes pró e contra o governo, na quarta-feira.

A entrevista ocorreu no Palácio Presidencial do Cairo, que está sob forte vigilância, com o filho de Mubarak, Gamal, sentado ao lado do presidente. "Eu não pretendia concorrer novamente. Nunca tive a intenção de tornar Gamal presidente depois de mim", disse Mubarak, segundo a repórter.

De acordo com Amanpour, ele disse ter sentido alívio ao anunciar em um discurso à nação feito na sexta-feira que não concorreria novamente nas eleições presidenciais. Questionado sobre como estava se sentindo em meio a protestos que pedem sua renúncia, ele respondeu: "Estou me sentindo forte. Não me candidataria novamente. Vou morrer em solo egípcio".

Com EFE e AFP

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