Novo presidente da Tunísia anuncia venda de palácios de Ben Ali

Intenção é leiloar as luxuosas construções do presidente deposto e reverter a renda para a promoção do emprego

iG São Paulo |

O novo presidente da Tunísia, Moncef Marzouki, anunciou nesta sexta-feira que venderá a maioria dos palácios presidenciais construídos pelo ditador deposto do país e que restituirá peças arqueológicas aos museus nacionais, informou a agência tunisiana TAP.

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"Os palácios presidenciais serão leiloados, com exceção do palácio presidencial de Cártago, sede da presidência na periferia de Túnis", anunciou Marzouki em cerimônia oficial.

A renda obtida será aplicada na promoção do emprego, acrescentou, uma vez que a Tunísia sofre com uma taxa de desemprego que poderia superar os 18% até o fim do ano.

Protestos exigindo empregos e uma melhora no padrão de vida derrubaram o presidente Zine al-Abidine Ben Ali no dia 14 de janeiro. A revolução inspirou os levantes da Primavera Árabe , mas os problemas sociais por trás da revolta da Tunísia se agravaram desde então.

Moncef Marzouki, prisioneiro político sob o governo de Ben Ali, foi feito presidente nessa semana, integrando um governo de coalizão conduzido ao poder pela primeira eleição democrática do país.

O novo governo enfrenta o desafio de fazer reviver a economia e atender as expectativas de milhões de tunisianos de que a revolução, além de trazer a democracia, melhorará a vida cotidiana do país do norte da África.

Ben Ali e sua mulher, Leila Trabelsi, que agora estão no exílio na Arábia Saudita, eram detestados por seu estilo de vida extravagante.

O ex-presidente, que ficou no poder ao longo de duas décadas, construiu dezenas de palácios luxuosos em todo o país, incluindo o Sidi Dharif, no distrito de Sidi Bou Said, perto de Túnis, e o Hammamet, a leste da capital, onde passava as férias de verão.

Marzouki anunciou também a restituição aos museus nacionais de peças arqueológicas que estavam no palácio de Cártago. Segundo a TAP, uma equipe de especialistas já trabalha no palácio para inventariar as peças.

O leilão dos palácios presidenciais teve impacto diverso nos sites de notícias e blogs da Tunísia. Enquanto alguns internautas saudaram a decisão como um "gesto forte" e "uma ruptura com o regime anterior", outros a criticaram por considerá-la um anúncio "populista".

O site especializado Business News lembrou que os palácios não são de propriedade da república, mas do Estado.

Com Reuters e AFP

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