Novo Parlamento do Egito realiza sessão inaugural

Eleitos na primeira votação pós-Mubarak, parlamentares têm missão de criar Constituição que será referendada pela população

iG São Paulo |

O Parlamento do Egito, eleito nas primeiras eleições legislativas desde a queda do ex-presidente Hosni Mubarak, realizou sua sessão inaugural nesta segunda-feira, com islâmicos dominando a maioria das 498 cadeiras.

A sessão foi aberta por Mahmoud al-Saqa, 81 anos, membro do partido liberal Wafd, o mais velho integrante da nova Assembleia. Ele deu início aos trablahos pedindo um minuto de silêncio em memória dos mortos no levante contra o regime de Mubarak, que deixou o poder em fevereiro.

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Reuters
Partidários da Irmandade Muçulmana celebram em frente ao Parlamento do Egito, no Cairo

A sessão inaugural foi transmitida pela televisão egípcia e ocorreu sob forte esquema de segurança. O prédio que abriga o Parlamento fica perto da Praça Tahrir, epicentro dos protestos conta Mubarak e palco de manifestações contra a junta militar que assumiu o poder desde a queda do ex-presidente.

Um a um, os deputados, nomeados por Saqa, juraram seus cargos na sessão histórica, que teve de ser interrompida em várias ocasiões para impedir que deputados se estendessem demais em seu juramento.

Os integrantes da chamada Assembleia Popular, a mais poderosa do Parlamento, foram escolhidos em eleições que começaram em 28 de novembro e duraram várias semanas. A votação para a Câmara Alta, conhecida como Schura, começará no fim do mês.

O novo Parlamento tem 508 cadeiras, das quais 498 foram escolhidas nas urnas e dez nomeadas diretamente pela Junta Militar. O Partido da Liberdade e Justiça (PLJ), braço político da Irmandade Muçulmana, é a formação majoritária com 235 cadeiras, seguida pelos salafistas do Al Nour com 123 assentos. A terceira é o Wafd, o partido mais antigo do Egito, que conseguiu 38 deputados.

A prioridade do Parlamento é eleger um conselho de 100 integrantes para criar uma nova Constituição que será referendada pela população. Eleições presidenciais devem acontecer antes de junho, quando a junta militar deve deixar o poder.

O ex-presidente, que tem 83 anos, está sendo julgado por corrupção e por ordenar a morte de manifestantes durante os protestos contra seu regime. Se condenado, ele pode ser sentenciado à pena de morte.

Com AP, Reuters e EFE

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