Novo governo do Egito se reúne pela 1ª vez

Ministros nomeados por Mubarak revisaram medidas para restabelecer segurança e fizeram homenagem às vítimas dos protestos

iG São Paulo |

AFP
Egípcios protestam na praça Tahrir, no centro do Cairo
Os novos ministros nomeados pelo presidente do Egito, Hosni Mubarak, fizeram sua primeira reunião nesta segunda-feira, o 14º dia consecutivo de protestos contra o governo. Segundo a agência oficial Mena, na reunião, presidida pelo primeiro-ministro egípcio, Ahmed Shafiq, foram revisadas as medidas do governo para restabelecer a segurança e a vida normal no país.

O novo gabinete - reformulado em 31 de janeiro, depois da saída de diversos ministros - também revisou, a pedido de Mubarak, medidas para recuperar a economia e combater o desemprego, segundo a Mena. A agência também informou que, antes da reunião começar, os ministros fizeram um minuto de silêncio pelas vítimas dos protestos que começaram em 25 de janeiro.

Segundo os meios de comunicação estatais, o governo anunciou um aumento de 15% nos salários e pensões dos servidores públicos a partir de abril.

Também nesta segunda-feira, o governo anunciou uma redução de quatro horas no toque de recolher vigente no país. A partir de agora, a medida vale para o período entre 20h e 6h no horário local (16h e 2h de Brasília).

Na tentativa de normalizar a rotina no país, o governo determinou que os bancos voltassem a funcionar, assim como parte do comérico. Porém, escolas continuam fechadas e a Bolsa de Valores do Cairo, que praticamente não funcionou desde o início dos protestos, só abrirá no domingo.

Milhares de manifestantes continuam protestando contra o governo na praça Tahrir, no centro do Cairo. Embora pareçam estar em menor número do que em dias anteriores, eles conseguiram impedir a abertura de um prédio do governo formando uma corrente humana em frente ao local.

Os manifestantes não deixaram a praça após o governo anunciar, no domingo, o início da negociação com grupos opositores, incluindo a Irmandade Muçulmana. Segundo um porta-voz do governo, "houve consenso "sobre a formação de um comitê que contará com o Poder Judiciário e um certo número de personalidades políticas, para estudar e propor as emendas constitucionais e legislativas que se fizerem necessárias".

A própria Irmandade Muçulmana mostrou-se insatisfeita com o acordo e disse considerar a reforma da Constituição insuficiente, diante das demandas feitas ao governo. Os manifestantes na praça Tahrir rejeitaram a possibilidade de abandonar o local. "Nosso objetivo é que Mubarak renuncie", afirmou o estudante Mohammed Eid. "Não aceitamos qualquer outra coisa."

Barack Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse na noite deste domingo que o Egito não vai voltar a ser igual ao que era antes do início dos protestos populares, que entram no 14º dia nesta segunda-feira.

Em declarações que foram transmitidas pelo canal americano Fox, Obama afirmou que não pode prever se o presidente egípcio, Hosni Mubarak, renunciará ou não."Somente ele sabe o que vai fazer", disse o presidente americano. "Os Estados Unidos não podem ordenar nada, mas o que podemos fazer é dizer que chegou a hora de começar a promover mudanças em seu país. Mubarak já decidiu que não vai mais concorrer (à Presidência)."

Obama também afirmou não acreditar que a Irmandade Muçulmana, grupo islâmico proibido por Mubarak, terá um papel importante em um eventual novo governo egípcio. "Acho que a Irmandade Muçulmana é apenas uma das facções no Egito", disse Obama. "Eles não têm o apoio da maioria", afirmou.

Apesar disso, ele reconheceu que o grupo é bem organizado e tem "traços de sua ideologia que são anti-americanos". Ainda assim, Obama disse acreditar que haverá um governo com o qual os Estados Unidos possam colaborar "se o Egito passar por um processo de transição ordenado".

As declarações seguem afirmações feitas também neste domingo pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de que forçar a saída rápida de Mubarak da Presidência poderia complicar a transformação democrática do Egito. Para Hillary, a saída imediata de Mubarak poderia afetar as "ações significativas" já tomadas pelo atual presidente para iniciar o processo de reforma.

Ela observou que em caso de renúncia do presidente, a Constituição egípcia prevê a realização de novas eleições em um prazo de 60 dias, o que mesmo a oposição reconhece ser um prazo curto demais para a organização de eleições livres e justas.

Em uma entrevista na semana passada, Mubarak se disse "farto" do poder, mas afirmou que pretende continuar no cargo até o fim de seu atual mandato, em setembro, por temer o "caos" se sair imediatamente.

Com EFE, AP e BBC

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