Novo governo da Jordânia toma posse prometendo reformas

Awn al-Khasawneh, ex-jurista do TPI, substitui Marouf al-Bakhit, criticado pela incapacidade de enfrentar a crise doméstica

iG São Paulo |

Reuters
Premiê da Jordânia Awn al-Khasawneh sai do Palácio Raghadan, em Amã, depois da cerimônia de posse, para falar com a imprensa
O rei da Jordânia, Abdullah II, aliado dos Estados Unidos, empossou nesta segunda-feira um novo governo que tem como meta a reforma e a aceleração rumo à liberalização política, em resposta às pressões internas por mudanças, depois de protestos inspirados pelas manifestações populares do mundo árabe.

O premiê Awn al-Khasawneh, ex-jurista do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, foi nomeado na semana passada para substituir o ex-general conservador Marouf al-Bakhit, amplamente criticado por sua incapacidade de enfrentar a crise doméstica.

O ex-executivo do banco central Umayya Toukan foi nomeado ministro das Finanças - uma medida que, segundo autoridades, tem como objetivo tranquilizar as preocupações dos investidores com o crescente gasto público que ameaça a estabilidade fiscal e monetária da Jordânia.

O novo gabinete inclui 16 novos ministros, incluindo duas mulheres, políticos moderados, tribais e tecnocratas para ampliar a representatividade nacional. O chanceler Nasser Judeh manteve seu posto.

Abdullah disse a Khasawneh na semana passada que a missão de seu gabinete seria acelerar as reformas que o gabinete anterior demorou para efetuar. O ex-general Bakhit também provocou atritos com manifestantes jordanianos e a oposição islâmica por conta do policiamento repressivo contra os protestos pacíficos pedindo reformas. Ele foi demitido depois de crescentes críticas sobre seu desempenho por parte dos parlamentares e autoridades influentes.

Entre as mudanças exigidas pelos protestos no país estão a descentralização do poder, dando maior independência ao Parlamento e absorvendo a oposição ao governo, para aumentar a participação pública nas tomadas de decisão.

O novo gabinete de governo deve apresentar seu projeto para o Parlamento, único órgão eleito na Jordânia. O Parlamento, então, convocará um voto de confiança quando reunir-se novamente depois de um recesso na quarta-feira.

O rei Abdullah tem poder absoluto e dá a palavra final em todos as questões relativas ao Estado, incluindo a nomeação de primeiro-ministros. Recentemente, ele prometeu que os premiês seriam eleitos a partir de uma maioria parlamentar, como pediu a oposição nos protestos influenciados pela Primavera Árabe.

Abdullah insiste que a Jordânia precisa de tempo para mudar seu sistema de governo, então a mudança seria implantada dentro de dois ou três anos . Uma lista distribuída pelo Palácio Real mostra que há pelo menos dois ministros ligados ao islamismo.

A Frente de Ação Islâmica, prinicpal grupo opositor no país, recusou a oferta de Khasawneh de aderir o gabinete, dizendo que iria esperar até que este fosse eleito.

Com Reuters e AP

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