Novo gabinete do Egito toma posse com missão de conter protestos

Permanência de ministros nomeados por Mubarak deve manter insatisfação entre manifestantes na praça Tahrir

Reuters |

AP
Manifestantes acampam na praça Tahrir para pedir reformas mais rápidas e punições a autoridades da era Mubarak (20/07)
O novo gabinete do Egito tomou posse nesta quinta-feira, no momento em que o conselho militar que atualmente governa o país tenta conter os protestos que pedem reformas mais rápidas e punições para os aliados do ex-presidente Hosni Mubarak.

A reforma abrangeu mais de metade do gabinete, inclusive alguns ministros que haviam sido nomeados por Mubarak. Substituições ocorreram nas pastas de Relações Exteriores, Finanças e Comércio, mas o ministro do Interior, Mansour el-Essawy, manteve seu cargo.

"Isso acalmará as pessoas um pouco, mas ainda não é o suficiente porque o povo espera mudanças nos ministérios do Interior e da Justiça", disse Adel Soliman, chefe do Centro Internacional para Estudos Futuros e Estratégicos, uma entidade de pesquisa egípcia. "Mas é óbvio que o primeiro-ministro não tem a autoridade total para mudar (os ministros) e ele está sob pressão."

A maioria dos novos nomes foram decididos na semana passada. A tomada de posse foi adiada depois que o premiê Essam Sharaf teve uma crise de pressão baixa na segunda-feira ao tentar completar sua nova lista ministerial e precisou ser levado ao hospital. Ele deixou o hospital no mesmo dia, depois que sua condição foi considerada estável.

A cerimônia estava prevista para o meio-dia de quinta-feira, mas atrasou novamente enquanto Sharaf finalizava as nomeações para as pastas de Comunicações e do Comércio, segundo fontes do gabinete.

Mahmoud Eissa foi nomeado ministro de Comércio e Indústria e Mohamed Salem assumiu o Ministério das Comunicações. Ambos já tinham cargos nos respectivos departamentos.

Os novos ministros, inclusive o de Relações Exteriores, Mohamed Kamel Amr, participaram da cerimônia com a presença do marechal Mohamed Hussein Tantawi, chefe da Junta Militar, segundo a agência de notícias Mena.

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