Novo cerco à cidade de Homs deixa 18 mortos, dizem ativistas sírios

Ataques já duram dois dias; funerais de mortos por atentados se transformaram em atos favoráveis ao regime

BBC Brasil |

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AP
Caixões de vítimas de atentados de sexta-feira em Damasco foram alinhados em mesquita
Testemunhas afirmam que as forças armadas da Síria voltaram a atacar a cidade de Homs, no oeste do país, matando pelo menos 18 pessoas, enquanto milhares de pessoas compareceram aos funerais dos 44 mortos por ataques a bomba cometidos nessa sexta-feira na capital, Damasco.

O bairro de Bab Amr foi um dos mais atingidos pelo cerco das forças leais ao presidente Bashar Al-Assad em Homs, segundo afirmam testemunhas citadas pelas redes de TV CNN e Al-Jazeera.

Os relatos indicam que Homs está sendo alvo de tiros, bombardeios e ataques de tanques há dois dias. Os Comitês de Coordenação Local da Síria, um grupo de oposição ao regime de Assad, afirmam que aviões militares também estão sobrevoando a cidade.

Os Comitês afirmam ainda que, durante o cerco, as forças de segurança sírias mataram o ex-secretário-geral do partido governista Baath em Homs, Ghazi Mohammad Khaled Zoaib, e sua mulher. Segundo o grupo opositor, 18 pessoas foram mortas na cidade neste sábado, de um total de 26 em todo o país.


Homs é um dos principais focos de manifestações contrárias ao governo desde o início do ano, quando começaram os protestos em favor de reformas democráticas na Síria. A ONU e entidades de defesa dos direitos humanos estimam que mais de 5 mil pessoas já foram mortas pela repressão do regime sírio aos manifestantes.

As informações não podem ser verificadas de forma independente, já que o governo sírio restinge as atividades de jornalistas dentro do país.

Funerais
Os funerais das 44 pessoas mortas pelos atentados a bomba cometidos em Damasco nessa sexta-feira se transformaram em focos de manifestações a favor do governo de Bashar Al-Assad.

A TV estatal síria mostrava pessoas carregando bandeiras do partido Baath e fotos do presidente nos funerais, gritando "morte à América" e "nós sacrificamos nossas almas e sangue por você, Bashar."

As imagens da televisão exibiam os caixões de vítimas, sendo seis deles com a marcação "desconhecido", alinhados dentro da mesquita de Umayyad, um dos locais mais sagrados do Islã.
A Síria colocou a culpa dos ataques sobre a rede Al-Qaeda, mas os opositores de Assad afirmam que as explosões foram orquestradas pelo governo, como forma de justificar a repressão violenta sobre as manifestações populares.

Neste sábado, um site em nome do grupo Irmandade Muçulmana reivindicou a autoria dos atentados. No entanto, a entidade islâmica disse que o site e a mensagem eram falsos, e culpou o governo de Assad pela autoria da página.

Os ataques ocorreram um dia depois que uma missão da Liga Árabe chegou à Síria, com o objetivo de monitorar se o governo está cumprindo um acordo de paz que determina que todas as tropas devem ser retiradas das ruas, para que a violência no país tenha um fim.

Cerca de 50 monitores estão programados para chegar na segunda-feira, completando uma equipe formada por entre 150 e 200 pessoas. O general sudanês Mohammed Ahmed Mustafa al-Dabi, que chefia a missão, diz estar otimista com o sucesso dos trabalhos.

O clérigo Said al-Bouti disse esperar que os atentados "abram os olhos" da Liga Árabe, "para que vejam quem é o assassino e quem é a vítima".

Já o Conselho Nacional Sírio, de oposição, disse que "o regime sírio, sozinho, tem toda a responsabilidade direta pelas duas explosões terroristas", por querer dar a impressão de que "enfrenta um perigo de fora do país, e não uma revolução popular".

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