Repressão a protestos de sexta mata 35 na Síria, diz oposição

Dia de manifestações em massa teve grande adesão em todo o país e coincide com a visita da missão dos observadores da Liga Árabe

iG São Paulo |

A repressão aos protestos em massa de sexta-feira na Síria terminou com 35 mortos em todo país, disse o Comitê de Coordenação Local da Síria, uma rede opositora que diz ter pessoas em vários localidades sírias, de acordo com a americana CNN e a britânica BBC. Mortes aconteceram na cidade de Idlib, Daraa, Hama, cidade de Homs, cidade de Tal Kalakh (Província de Homs, perto do Líbano), nos subúrbios da capital, Damasco, e em Abu Kamal.

AP
Imagem reproduzida de vídeo amador alega mostrar manifestante ferido sendo retirado de Douma, subúrbio de Damasco, Síria, em 30/12
Na quinta-feira, ao menos 26 foram mortos no país. Não é possível verificar de forma independente esses relatos, uma vez que o governo sírio expulsou a maior parte dos correspondentes estrangeiros do país.

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Nos maiores protestos na Síria em meses, centenas de milhares saíram às ruas na sexta-feira em desafio ao regime de Bashar al-Assad para mostrar a uma missão de observadores da Liga Árabe a força do movimento de oposição. Os manifestantes foram reprimidos com munição real e gás lacrimogêneo pelas forças de segurança.

AFP
Reprodução de vídeo mostra forças de segurança prendendo homem em Douma, subúrbio ao norte da capital da Síria, Damasco (29/12)
Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), houve grandes protestos em Douma (subúrbio ao norte da capital do país, Damasco), Hama, Homs e nos arredores da cidade de Idlib, onde 250 mil saíram às ruas em 74 manifestações separadas. Em Douma, subúrbio de Damasco, os protestos reuniram entre 60 mil e 70 mil, de acordo com o OSDH.

Enquanto a violência persiste na Síria, os observadores enviados pela Liga Árabe continuam com sua missão de verificar o cumprimento da iniciativa árabe que estipula o fim da violência, a libertação dos detidos nos protestos e o recuo militar, entre outros pontos.

Durante os protestos de sexta-feira, um observador da Liga Árabe, que apareceu ao vivo em imagens transmitidas pelo canal de televisão Al-Jazeera, disse à multidão enfurecida na Síria que o trabalho de sua equipe é apenas observar - e não ajudá-los a retirar do poder o presidente.

"Nosso objetivo é observar, e não é remover o presidente, nosso objetivo é devolver paz e segurança à Síria", afirmou falando em um alto-falante a partir do pódio de uma mesquita lotada de manifestantes em Douma. O observador, entretanto, que não falou seu nome, prometeu divulgar o sofrimento dos manifestantes. "Pelo que ouvi aqui, sangue está sendo derramado", afirmou.

Saiba mais: Observadores da Liga Árabe visitam mais cidades na Síria

Desde que começaram os protestos em meados de março, a ONU estima que mais de 5 mil morreram pela repressão do regime, que acusa grupos terroristas armados da responsabilidade pelas revoltas populares.

Trégua dos desertores

Na sexta-feira, o Exército Livre Sírio, grupo armado de oposição ao governo, ordenou que suas forças interrompam as ações ofensivas à espera de uma reunião com a delegação da Liga Árabe, disse o coronel Riad al-Assad, comandante dos rebeldes. Ele afirmou que busca um contato urgente com os monitores.

O grupo diz ser composto por cerca de 15 mil desertores do Exército que abandoram o regime durante o levante. Ele também reivindica responsabilidade por ataques contra instalações governamentais que mataram vários soldados e membros das forças de segurança.

"Emiti uma ordem para parar todas as operações desde o dia em que o comitê entrou na Síria . Todas as operações contra o regime devem ser interrompidas, exceto numa situação de autodefesa", disse à Reuters. Assad está baseado na Turquia, e não está claro até que ponto suas ordens são atendidas pelos rebeldes.

"Tentamos nos comunicar com eles (monitores) e solicitamos uma reunião com a equipe. Até agora, não houve sucesso. Não recebemos nenhum número (telefônico) dos monitores, o que havíamos solicitado. Ninguém nos contatou tampouco."

A missão regional de monitoramento tem despertado ceticismo por causa da sua dimensão limitada, da sua composição e do fato de depender da logística do governo sírio. O desconforto da oposição com a missão se agravou depois de uma declaração do chefe dos monitores, um general sudanês, que disse ter tido uma primeira impressão "tranquilizadora" da visita dos observadores a Homs .

O general sudanês Mustafa al-Dabi, acusado por alguns de ligação com crimes de guerra ocorridos na década de 1990 na região de Darfur, fez na terça-feira uma rápida visita à cidade de Homs , epicentro dos confrontos, e disse não ter visto "nada de assustador".

Vídeos gravados por ativistas em Homs nos últimos meses mostram o rastro de morte e destruição deixado pela repressão militar, e ativistas dizem que centenas morreram na cidade nos últimos meses.

*Com BBC, Reuters, EFE, AFP e AP

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