No último dia da missão da Otan, secretário-geral visita Trípoli

Visita que não havia sido anunciada previamente porá fim a operações militares que ajudaram na deposição de Muamar Kadafi

iG São Paulo |

O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Anders Fogh Rasmussen, 62, chegou nesta segunda-feira a Trípoli onde se reuniu com as autoridades do Conselho Nacional de Transição (CNT) e representantes da sociedade civil, no dia em que a organização encerra suas atividades no país . Essa é a primeira visita à Líbia de um secretário-geral da Otan.

Reuters
Secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, caminha ao lado do ministro da Defesa do CNT, Jalal al-Digheily, em sua chegada ao aeroporto Mitiga em Trípoli


Sete meses após os primeiros bombardeios dos aviões da Otan contra as posições das forças de Kadafi, Rasmussen se encontrou durante sua visita com o presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, com o qual participou de uma coletiva conjunta. A visita, que não havia sido anunciada previamente, marca o fim da missão "Protetor Unificado", que ajudou os rebeldes a depor o regime de 42 anos do coronel Muamar Kadafi .

"É ótimo estar na Líbia, na Líbia livre", disse. "Agimos para proteger vocês. Juntos tivemos sucesso. A Líbia está finalmente livre, de Benghazi a Brega, de Misrata até as Montanhas Ocidentais e a Trípoli."

Rasmussen afirmou estar orgulhoso do papel que a Otan desempenhou nos sete meses de insurgência contra Kadafi. "À meia-noite (20h em Brasília), um capítulo bem-sucedido da história da Otan chegará ao fim. Vocês já começaram a escrever um novo capítulo na história da Líbia. Nossos comandantes foram muito cuidadosos em garantir que não machucássemos vocês ou suas famílias", disse.

A missão da Otan acaba nesta segunda-feira apesar de o CNT ter feito nos últimos dias alguns pedidos para que mantivesse suas forças na região por mais tempo . A Aliança Atlântica afirmou que não espera desempenhar um grande papel no pós-guerra, embora possa colaborar na transição para a democracia ajudando na reforma no setor de segurança.

A Aliança assumiu a missão oficialmente em 31 de março , com base em um mandato das Nações Unidas que estabeleceu uma zona de exclusão aérea e permitiu que forças militares estrangeiras, incluindo a Otan, usassem "todas as medidas necessárias" para proteger civis líbios.

Antes de Rasmussen, outros líderes como o presidente francês, Nicolas Sarkozy, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron , e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton , visitaram a Líbia nos últimos meses.

Intervenção na Síria

Pouco antes de chegar ao país, Rasmussen reiterou que está "totalmente excluída" uma intervenção militar da Otan na Síria , embora tenha condenado a repressão "das forças de segurança sírias contra os civis". "Está totalmente excluída. Não temos nenhuma intenção de intervir na Síria", declarou Rasmussen no avião que o levava à Líbia.

Na sexta-feira, manifestantes pediram durante um protesto que a comunidade internacional adotasse no país uma zona de exclusão aérea, o que implicaria uma intervenção militar.

Promessa de ajuda

Em entrevista ao Washington Post, a secretária de Estado americana afirmou considerar que os novos líderes líbios têm "uma tarefa política muito complicada pela frente", mas prometeu uma ampla ajuda dos EUA. "(Eles) têm uma tarefa política muito complicada pela frente, e não têm muita experiência no que nós consideramos política", disse Hillary.

O conflito líbio terminou de maneira polêmica com a morte de Kadafi em 20 de outubro , uma ação que foi criticada até mesmo por aliados ocidentais do regime interino, o CNT.

Leia também: Fim sem misericórdia levanta questão: quem matou Kadafi?

A Otan conclui sua missão na Líbia nesta segunda-feira por considerar que cumpriu o mandato de proteger os civis. Ao mesmo tempo, a Aliança Atlântica exigiu que o novo regime construa uma democracia com base nos direitos humanos.

Segundo a secretária de Estado, as novas autoridades terão de unificar a nação. "Isso será um enorme desafio. Eles têm de descobrir como reconciliar os vários credos políticos e religiosos. Têm que unificar todas as tribos. Têm de encarar a rivalidade que sempre existiu entre oeste e leste, entre Benghazi e Trípoli. E terão de ser muito claros sobre sua agenda e como ajudarão a satisfazer as necessidades dos distintos grupos."

*Com EFE e AFP

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