No Brasil, secretário-geral da ONU conclama líder sírio a parar repressão

Na última etapa de viagem pela América Latina, secretário-geral da ONU reconhece 'papel global' adquirido pelo Brasil recentemente

iG São Paulo |

AP
Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (à esq.), caminha à frente do chanceler brasileiro, Antonio Patriota, depois de sua chegada ao Itamaraty, em Brasília
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ao presidente da Síria, Bashar Al-Assad, que "pare de matar pessoas" e se comprometa com um diálogo. "Exijo do presidente Assad e das autoridades sírias que parem de matar pessoas, que se comprometam com um diálogo e assumam medidas audazes antes que seja tarde demais", disse o chefe da ONU, em Brasília, última escala de sua viagem sul-americana.

Ban expressou também seu desejo de que as Nações Unidas possam conseguir unanimidade sobre o tema. "Espero que a ONU seja capaz de falar com uma posição coerente."

O Conselho de Segurança da ONU não conseguiu um consenso para uma resolução sobre a Síria. Os presidentes da Rússia, Dimitri Medvedev, e da China, Hu Jintao - líderes de dois países que têm poder de veto juntamente com outros três membros do conselho -, asseguraram nesta quinta-feira em uma declaração conjunta que se opõem a ingerências externas nas revoltas no mundo árabe.

A Rússia expressou sua oposição a que o Conselho de Segurança das Nações Unidas adote uma resolução sobre a Síria, distanciando-se notavelmente da posição ocidental perante a repressão das manifestações no país.

Os Estados Unidos, por sua vez, condenaram nesta quinta-feira o "atroz" uso da força na Síria como resposta aos protestos populares, e disse que a violência deve acabar imediatamente. "Os Estados Unidos condenam nos termos mais enérgicos possíveis o uso da força pelo governo sírio contra manifestantes pacíficos", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland.

Na quarta-feira, o Conselho de Direitos Humanos da ONU reiterou seu chamado ao governo sírio para que autorize uma missão do órgão para investigar as violações aos direitos humanos, cerca de três meses depois do início da repressão governamental contra manifestantes nesse país.

A repressão custou a vida de ao menos 1,2 pessoas e a prisão de 10 mil opositores, segundo ONG e a ONU. Mais de 8,5 mil sírios fugiram para a Turquia e outros 5 mil para o Líbano.

Elogios ao Brasil

Após encontro com o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, Ban também comemorou nesta quinta-feira os "esforços" e "sucessos" do Brasil na luta contra a pobreza e a exclusão, e avaliou o papel do país em diversas iniciativas de paz e cooperação no eixo sul-sul. O secretário-geral, que chegou a Brasília procedente de Montevidéu (Uruguai), também ressaltou o papel de "ator global" que o Brasil assumiu nos últimos anos.

O secretário destacou em particular a participação do país em diversas ações contra a fome e a pobreza em nível global, assim como também a atuação de suas Forças Armadas na Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah).

Ban disse estar "consciente" das antigas aspirações do Brasil a ter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, mas evitou manifestar-se a favor ou contra. "São aspirações legítimas, mas esse assunto deve ser decidido pelos Estados-membros (da ONU), durante o processo de reformas" do organismo, indicou.

No entanto, considerou que o Conselho de Segurança deve "adaptar-se aos tempos para ser mais representativo e pluralista". Ban, que permanecerá dois dias em Brasília, última escala de uma viagem que passou por Colômbia, Argentina e Uruguai, disse que a viagem ratificou que "América do Sul pode e deve ter um papel mais forte dentro da ONU, que deve e pode ter um papel mais importante nesta região".

Sobre sua candidatura à reeleição como secretário-geral, o secretário disse que manifestou sua "humilde intenção" de seguir no cargo e agora só espera pela "decisão dos Estados-membros" da ONU.

O Brasil ainda não anunciou se apoiará Ban, único candidato ao cargo, mas fontes oficiais consultadas disseram que o apoio será manifestado oficialmente ainda nesta quinta-feira, após uma reunião que o secretário-geral terá com a chefe de Estado, Dilma Rousseff.

*Com AFP e EFE

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