Níger descarta extradição de filho de Kadafi

Segundo o ministro da Justiça, o país africano não enviará ninguém para a Líbia que possa ser condenado à morte

iG São Paulo |

AFP
Saadi sonhava em fazer carreira no futebol internacional (31/1/2010)
As autoridades de Níger informaram nesta sexta-feira que não extraditarão Saadi Kadafi, filho do líder líbio deposto Muamar Kadafi, nem os civis e militares de seu regime que se refugiaram no território do país.

Saadi chegu ao país no domingo, acompanhado de outros oito oficiais do regime de "menor importânica", segundo declaração feita por Amadou essa semana. Acredita-se que o filho de Kadafi esteja em uma casa protegida, no centro da capital, Niamey.

Em entrevista coletiva, o ministro da Justiça nigerino e porta-voz do governo, Maru Amadou, afirmou que o "Níger, de acordo com suas obrigações internacionais, não pode enviar ninguém para lugar algum onde não vá receber um julgamento justo ou possa ser condenado à morte".

De acordo com a CNN, Amadou disse que uma delegação do Conselho Nacional de Transição (CNT) teria ainda que aparecer no Níger, e seu governo aguardava um pedido "específico" dos líbios.

Pelo menos três comboios entraram no Níger, levando parentes e membros do regime militar de Kadafi, informaram oficiais do Níger. Além disso, mais de 200 mil refugiados líbios atravessaram a fronteira.

Conquistas do CNT

O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta sexta-feira por unanimidade uma resolução que suspende parcialmente o congelamento dos bens líbios e prevê o envio de uma missão para ajudar o novo governo a organizar eleições e redigir uma nova Constituição. O país passa por um levante que derrubou Muamar Kadafi e tenta conquistar alguns redutos do líder líbio , encontrando forte resistência.

A decisão do Conselho, segundo o texto, espera "uma melhora da situação" na Líbia e expressa sua determinação de assegurar que os milhões de dólares de bens líbios congelados em fevereiro e março "sejam colocados à disposição do povo líbio o quanto antes".

Também nesta sexta, a Assembleia Geral dos 193 Estados membros aprovou por uma maioria de 114 votos a favor, 17 contra e 15 abstenções a solicitação do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político dos opositores de Kadafi, para considerar os seus enviados como os únicos representantes líbios na organização. Na prática, dessa forma, a ONU reconhece o governo interino da Líbia .

O Brasil votou favoravelmente à medida, apesar de ainda não ter reconhecido oficialmente o CNT como governo legítimo líbio. O ministro das Relações Exteriores do País, Antonio Patriota, disse em várias ocasiões que o governo brasileiro aguardaria a posição da ONU para definir sobre o CNT.

* Com EFE

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