Mundo estará com o povo líbio durante a reconstrução, diz Obama

Presidente dos EUA se encontrou com líder do governo interino; bandeira dos rebeldes tremula na sede da ONU em Nova York

iG São Paulo |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu aos líbios que o mundo ficará ao lado deles na reconstrução do país após a queda do regime de Muamar Kadafi . Em reunião realizada na ONU nesta terça-feira, o presidente alertou que a Líbia enfrentará dias difíceis, enquanto os partidários ainda apresentam uma resistência e os líderes provisórios têm a missão de contruir um novo governo.

Mas Obama reiterou que a Líbia estava agora nas mãos do povo. "Depois de décadas de um regime de ferro controlado por um homem, vai levar um tempo até que as instituições democráticas sejam construídas na Líbia. Eu tenho certeza que os líbios enfrentarão dias de frustração", afirmou Obama. "Mas se nós aprendemos algo nesses meses é isso - não subestimar as aspirações e as vontades do povo líbio."

AP
Presidente Barack Obama se encontra com o presidente do CNT, Abdul Jalil, no prédio da ONU

"Assim como o povo esteve com vocês na sua luta pela liberdade, nós iremos estar com vocês na sua luta para conquistar a paz e a prosperidade que a liberdade pode trazer."

Obama parabenizou a comunidade internacional por ter tido "a coragem e o espírito coletivo para agir" na Líbia. Ele disse que, enquanto o potências globais não podem e não devem intervir cada vez que há uma injustiça no mundo, há ocasiões em que as nações precisam juntar forças para prevenir as mortes de civis inocentes.

"Nossa coalizão internacional parou o regime e salvou incontáveis vidas, e deu ao povo líbio o tempo e espaço para triunfar", afirmou o presidente.

Na reunião sobre a Líbia, Obama estava acompanhado por outros líderes do Conselho Nacional de Transição (CNT), o governo interino do país, entre eles seu presidente, Mustafa Abdul Jalil.

No encontro, Abdul Jalil, que agradeceu à ONU e aos Estados Unidos por seu apoio à "revolução" líbia, indicou que esta custou 25 mil vidas e se comprometeu a submeter os membros do regime de Kadafi a um "processo justo".

Os EUA reconhecem o CNT como o governo legítimo do país africano. Obama anunciou nesta terça que o embaixador americano estará de volta a Trípoli e que "nesta semana, a bandeira americana, que foi abaixada quando nossa embaixada foi atacada, será hasteada novamente" . Obama pediu a Jalil e aos líderes do CNT que assegurassem uma transição democrática na Líbia, com eleições "livres e justas".

O secretário-geral da ONU Ban Ki-moon disse que o Conselho de Segurança da ONU agiu para proteger o povo líbio da violência, e por isso autorizou bombardeios da Otan contra as forças de Kadafi.

"Hoje, devemos novamente responder com tal velocidade e ação decisiva -- desta vez para consolidar a paz e a democracia", afirmou Ban.

À noite, Mahmud Jibril, primeiro-ministro do CNT, afirmou que um novo governo será formado no prazo de sete a dez dias. O anúncio do governo de transição na Líbia era esperado para o domingo, mas foi adiado pelo CNT.

Ao mencionar as negociações em curso, Jibril citou o acordo sobre a atribuição de "numerosas pastas" e destacou que mulheres e jovens terão prioridade para ocupar postos de vice-ministros.

Reconhecido pela ONU como representante do povo líbio, o CNT anunciou em 2 de setembro passado sua intenção de governar o país até a realização de eleições para uma Assembleia Constituinte, no prazo de oito meses.

A nova bandeira da Líbia tremulou nesta terça na ONU pela primeira vez desde que Muamar Kadafi foi derrubado do poder. O CNT optou por voltar a usar a  bandeira oficial do período entre 1951 e 1977, quando Kadafi, que governou o país durante 42 anos, introduziu a bandeira totalmente verde da sua Jamahiriya (república popular).

Reuters
A nova bandeira da Líbia tremula na sede da ONU em Nova York

Também nesta terça-feira, a União Africana reconheceu oficialmente CNT como "representante do povo líbio", indicou a UA em um comunicado difundido pela presidência sul-africana. "A União Africana está pronta para apoiar o povo líbio (...) em seu caminho para uma Líbia unida, democrática, pacífica e próspera", acrescentou.

Enquanto a maior parte das atenções está na política de transição líbia, a segurança no país continua a ser preocupante. Grupos dos partidários do regime continuam a lutar em seus redutos pelo país, enquanto Kadafi permanece foragido.

Obama disse que a campanha de ataques da Otan na Líbia continuará, enquanto os civis estiverem ameaçados. E ele pediu aos leais ao líder deposto para parar a luta e se juntar à nova Líbia, declarando que "o antigo regime está acabado."

O pronunciamento de Obama sobre a Líbia abriu o primeiro de dois dias de encontros da Assembleia Geral da ONU.

Ainda nesta terça, o presidente voltou sua atenção ao Afeganistão, onde ele encontrou o líder do país, Hamid Karzai. É a primeira vez que os dois se encontraram pessoalmente, desde que Obama anunciou planos de retirar mais de 30 mil tropas dos EUA do Afeganistão até o início do segundo semestre do ano que vem.

O encontro entre Obama e Karzai também vem com a notícia de que o ex-presidente do país foi assassinado em Cabul nesta terça por um ataque suicida. Um porta-voz de Karzai disse que o presidente encurtará a viagem aos Estados Unidos depois de encontrar Obama e voltará à Cabul.

Pairando sobre as reuniões de Obama desta terça está o pedido de adesão do Estado palestino à ONU. O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, disse que, apesar de estar sobre "uma tremenda pressão" , ele irá pedir ao Conselho de Segurança a adesão plena e total à organização, medida que certamente será vetada pelos EUA .

Autoridades americanas insistem que ainda há tempo para evitar um confronto direto, e têm conversado com líderes ocidentais com a esperança de ganhar aliados para sua causa e, assim, não ficar na posição desconfortável em ser o único a vetar o pedido.

Com AP, AFP e Reuters

    Leia tudo sobre: obamajalillíbiaabbasonuestado palestino

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG