Multidão protesta contra candidatura de ex-vice de Mubarak no Egito

Manifestação reuniu mais de 10 mil na Praça Tahrir, epicentro dos protestos que levaram à saída do ex-presidente egípcio

iG São Paulo |

Mais de 10 mil egípcios saíram de mesquitas para protesrar na Praça Tahir, nesta sexta-feira, no Cairo, em uma demonstração de força por parte de islamitas, exigindo que o ex-chefe de inteligência Omar Suleiman e ex-políticos do regime de Hosni Mubarak sejam impedidos de participar das próximas eleições presidenciais.

Eleição: Ex-vice de Hosni Mubarak quer ser presidente no Egito

AP
Manifestação contra candidatura de membros do ex-regime lotou a Praça Tahrir, no Cairo
A manifestação foi a primeira demonstração no Egito em meses e foi um reviravolta para os islamitas, que abandoram os protestos nas ruas, especialmente depois de terem obtido controle do Parlamento nas eleições legislativas do ano passado, e buscaram uma estratégia de coexistência com os militares mesmo durante a série de protestos e confrontos no levante de ativistas pró-democracia que levaram à queda de Mubarak , em fevereiro de 2011.

A luta por poder, no entanto, ficou ainda mais acirrada com a aproximação da eleição presidencial no próximo mês, na qual islamitas veem chance de chegar ao poder. Na semana passada, o ex-vice e ex-chefe de Inteligência de Mubarak anunciou que pretendia concorrer a presidente, acrescentando que sua principal bandeira era prevenir o país de um governo islâmico.

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“Se Omar Suleiman se tornar presidente, será um banho de sangue, e as pessoas protestarão na praça durante 10 dias”, disse o manifestantes Ahmed Murad, perto de cartazes que apresentava Suleiman como o candidato dos “sionistas”.

Suleiman era o principal negociador de Mubarak com Israel, e muitos o veem como simbolismo da relação amigável da era Mubarak com o Estado judeu.

“Não expulsamos Mubarak para ter outro”, protestou o outro manifestante Adel Suleiman, perto de um grupo que carregava a imitação de um caixão preto com a frase “o povo quer expulsar os restos”, em referência a figuras do antigo regime.

Islâmicos

O protesto desta sexta-feira, organizado pela Irmandade Muçulmana e pelo ultraconservador movimento Salafista, sublinhando a difícil situação de liberais e esquerdistas no país. A maior parte deles rejeita a possibilidade de Suleiman concorrer, pois o veem como o retorno do regime de Mubarak. Ao mesmo tempo, eles acusam os setores islâmicos de oportunismo e tentativa de monopolizar o poder, além de aproximação com os generais e só falarem de revoluação quando lhes interessa. Assim, muitos liberais e grupos políticos de esquerda se abstiveram do protesto desta sexta-feira.

A multidão na Praça Tahrir, epicentro dos 18 dias de protestos no ano passado que levaram à renúncia de Mubarak, era majoritariamente islâmica. Um cartaz enorme do proeminente candidato salafista à presidência, Hazem Abu Islamil, compunha a manifestação juntamente com diversas camisetas com a foto do candidato. Muitos na multidão apresentavam a conservadora barba que muçulmanos mais tradicionais têm, e vendedores aproveitaram para lucrar com a venda de bandeiras negras com a profecia da fé islâmica “Não há deus maior que Deus e Maomé é seu profeta”.

*Com AP

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