Mulheres protestam contra violência de policiais e militares no Egito

Capital egípcia é palco de confrontos entre manifestantes e forças de segurnaça pelo quinto dia consecutivo

iG São Paulo |

A capital do Egito, Cairo, foi palco de choques entre manifestantes e policiais pelo quinto dia consecutivo nesta terça-feira, quando centenas de mulheres saíram às ruas para protestar contra a violência usada pelo regime para reprimir manifestações.

A marcha das mulheres começou na praça Tahrir, centro do Cairo, e continuou pelas ruas próximas. Homens também participaram do ato e muitos dos presentes seguravam cartazes com imagens de manifestantes agredidos – a maioria de uma mulher com a blusa aberta , de sutiã, sendo espancada por soldados.

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AP
Mulheres protestam contra violência das forças de segurança no Cairo, capital do Egito

“Pagamos as Forças Armadas, colocamos uniformes neles para que nos protejam, não nos ataquem”, disse a ativista Nawarah Negm. Policiais e militares usaram bastões, tiros e bombas de gás para dispersar os protestos.

A nova onda de violência no Cairo começou na sexta-feira, quando soldados tentaram pôr fim a um acampamento do lado de fora da sede do governo. Desde então, choques aconteceram todos os dias, deixando 14 mortos.

Na segunda-feira, o major Adel Emara, integrante da junta militar que governa o Egito desde a queda de Mubarak, fez um pronunciamento na TV no qual acusou manifestantes de terem um “plano para derrubar o Estado”.

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Durante seu discurso, ele mostrou vídeos de agressões a soldados e ataques de manifestantes, além de testemunhos de vários detidos, entre eles menores, que disseram ter recebido dinheiro para atingir as forças de segurança.

De acordo com Emara, os responsáveis pelos incidentes usaram "meninos de rua, viciados em drogas e desaparecidos" no confronto com o Exército. "Em nenhum momento as forças de segurança receberam ordens para dispersar as manifestações", afirmou o representante do governo. Segundo ele, essas forças reagiram em defesa própria e das instituições do Estado.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, advertiu nesta segunda-feira aos membros da junta militar do Egito que correm o risco de ser processados por cumplicidade em crimes graves se não agirem imediatamente contra a "brutal" repressão no centro do Cairo.

"As autoridades egípcias devem demonstrar um compromisso real com os direitos humanos, incluindo a plena erradicação dos maus-tratos, uma reforma integral das forças de segurança, a suspensão do estado de emergência e o respeito ao império da lei e das liberdades fundamentais", manifestou Pillay.

Com AP, EFE, AFP e Reuters

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