Mufti saudita pede a muçulmanos que obedeçam seus governantes

Durante rito de peregrinação, Abdul Aziz al-Sheikh disse que autoridade máxima deve ser justa e e dar qualidade de vida ao povo

EFE |

O grande mufti da Arábia Saudita, Abdul Aziz al-Sheikh, pediu neste sábado aos muçulmanos de todo o mundo que obedeçam a seus governantes que devem ser justos com o povo e garantir boas condições de vida. O clérigo fez esse pedido durante seu sermão na mesquita Namira, na região do Monte Arafat, próxima à cidade santa de Meca, onde os fiéis completam o mais importante rito de peregrinação islâmica.

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Reuters
Peregrinos são vistos na cidade sagrada de Meca. Ato realizado anualmente é o maior movimento islâmico


As palavras do mufti têm relevância especial neste ano, pois coincidem com as revoluções da Primavera Árabe, que derrubaram os governos do Egito, Tunísia e Líbia e agora ameaçam os regimes da Síria, Iêmen e Bahrein. Sheikh ressaltou a importância de que cada muçulmano obedeça a seu governante, reze por ele perante Deus e não entre em disputa pelo poder, enquanto, segundo ele, a autoridade máxima deve ser justa e dar qualidade de vida ao povo.

"As lideranças dos países muçulmanos devem trabalhar para impor a justiça, combater a corrupção e pôr como prioridades os interesses do povo. E o povo deve se unir em torno de seus governantes" ressaltou o clérigo. O líder religioso destacou ainda que os muçulmanos devem resolver os problemas de maneira pacífica, "longe do caos e do derramamento de sangue".

"O povo muçulmano atravessa um dos períodos mais perigosos de sua história, pois enfrenta circunstâncias difíceis, desafios, divisões e conflitos internos, além de uma ofensiva feroz por parte de seus inimigos, incluindo a flagrante intromissão em seus assuntos internos", acrescentou. Para Sheikh, a Arábia Saudita constitui um modelo ideal de país, onde povo e governo estão unidos.

"Os governantes deste país se interessam pelo bem-estar de seus compatriotas. Esse é o exemplo que deve ser seguido pelos países afetados pelo caos". Em relação aos protestos por liberdade que ocorrem em alguns países, o clérigo lembrou que "o islã promove esses princípios há 14 séculos, porque assim foi durante a vida do Profeta Maomé e de seus primeiros quatro califas sucessores".

Após o sermão, os peregrinos prosseguiram com as rezas do meio-dia e da tarde, seguindo a tradição do Profeta, na mesquita de Namira, onde o Maomé pronunciou seu último discurso. Depois, os fiéis subiram ao Monte Arafat, onde vão ficar até o pôr do sol. 

*com AFP e EFE

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