Mubarak quebra silêncio e nega ter cometido abusos

Em primeiro pronunciamento desde que deixou o governo, ex-líder do Egito diz estar disposto a colaborar com investigações

iG São Paulo |

Em seu primeiro pronunciamento desde que deixou a presidência do Egito, o ex-líder Hosni Mubarak negou ter usado sua autoridade para acumular riqueza. Mubarak foi forçado a deixar o poder em 11 de fevereiro, após 18 dias de protestos contra seu governo, que durou mais de 30 anos.

O pronunciamento foi gravado no sábado e exibido neste domingo pela emissora árabe Al-Arabiya. Nenhuma imagem do líder foi divulgada, apenas o áudio do discurso, no qual Mubarak disse estar disposto a cooperar com as investigações para provar que não têm propriedades no exterior ou bens e contas em bancos estrangeiros.

"Eu e minha família ficamos e ainda estamos muito magoados com a injusta campanha contra nós e com as alegações falsas que tentam manchar minha reputação, minha integridade, minhas posições políticas e minha história militar", afirmou o ex-líder.

Ele acrescentou que está disposto a autorizar "por escrito" o procurador-geral egípcio a entrar em contato com "todos os países do mundo" para provar que não possui bens no exterior. Desde que foi forçado a deixar o poder, Mubarak vive com a família sob prisão domiciliar em sua residência no balneário de Sharm el-Sheik. Seus bens foram congelados.

Desde sexta-feira, milhares de egípcios estão na praça Tahrir, epicentro dos protestos que levaram à queda de Mubarak, para exigirque ele e sua família sejam julgados por corrupção.

AP
Egípcios protestam contra ex-líder Hosni Mubarak na praça Tahrir, no Cairo

No sábado, o Exército fez uma operação para retirar os manifestantes, acertando-os com bastões e disparando para o alto. Os confrontos deixaram pelo menos um morto e 71 feridos, segundo o Ministério da Saúde. Fontes da oposição dizem que a repressão causou duas vítimas fatais.

Como concessão aos manifestantes, o governo interino do Egito afirmou que vai retirar alguns dos governadores de províncias que foram nomeados pelo ex-presidente. Muitos dos manifestantes acreditam que os militares do governo interino estão protegendo Mubarak e seus aliados.

O governo interino e militar, por sua vez, afirmou que vai continuar usando firmeza e força para retirar os manifestantes da praça e para o país voltar à vida normal. "A praça Tahrir vai ser esvaziada com firmeza e força para garantir que a vida volte ao normal", disse o general Adel Emarah, do conselho militar egípcio, durante uma entrevista coletiva.

Com AP e BBC

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