Mubarak cria comissão para reforma constitucional no Egito

Presidente egípcio assina decreto que também cria outra comissão para monitorar a implementação das mudanças propostas

iG São Paulo |

Reuters
Mubarak tem reunião com Ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes, Abdullah bin Zyed al-Nahayan, no primeiro encontro oficial desde que a crise começou
Em mais uma tentativa de encerrar os protestos contra o governo, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, assinou nesta terça-feira um decreto que cria uma comissão para recomendar reformas constitucionais para o país. Em declaração transmitida pela TV estatal, o vice-presidente Omar Suleiman disse que o líder egípcio também criou uma segunda comissão para monitorar a implementação de todas as reformas propostas.

Mubarak teria pedido ainda a criação de um terceiro comitê para investigar os atos de violência que aconteceram na última quarta-feira, quando manifestantes contrários ao governo e partidários do regime se enfrentaram na região central do Cairo, na praça Tahrir.

As comissões começaram a trabalhar imediatamente, mas Suleiman não deu detalhes sobre os integrantes dos grupos ou sobre como eles serão escolhidos. A criação da primeira comissão tinha sido acordada no domingo em uma reunião entre o governo e representantes de grupos da oposição.

Suleiman afirmou, no mesmo pronunciamento, que o Egito "está no caminho certo para sair da crise atual". Segundo o vice-presidente, "foi estabelecido um cronograma para realizar a transferência pacífica e organizada de poder".

Desde que os protestos antigoverno começaram, em 25 de janeiro , Mubarak fez diversos anúncios de mudanças na tentativa de conter a insatisfação popular. Nas últimas semanas, ele nomeou um novo gabinete, escolheu um vice-presidente pela primeira vez desde que chegou ao cargo, em 1981, prometeu que não concorrerá a reeleição nas eleições de setembro e anunciou um aumento de 15% nos salários dos servidores.

Nenhuma das medidas foi considerada suficiente pelos manifestantes, que exigem a renúncia do presidente. Nesta terça-feira, o 15º dia de protestos, milhares de egípcios continuam na praça Tahrir, no centro do Cairo, epicentro dos protestos.

Reunião de gabinete

Na segunda-feira, Mubarak reuniu-se pela primeira vez com seu novo gabinete , enquanto o regime luta para fazer a economia mover-se novamente. Na reunião, ficou determinado que o aumento nos salários do setor público passará a valer a partir de abril. Além disso, mais de US$ 940 milhões serão investidos em aumentos nas aposentadorias.

O acréscimo poderá reafirmar o apoio dos partidários de Mubarak ao regime, como membros da grande burocracia estatal e das forças de segurança, mas ainda não há sinais de que os manifestantes que completam duas semanas na praça Tahrir cederiam.

Em outras medidas do governo para reavivar a vida econômica, o toque de recolher em três cidades, incluindo o Cairo, foi reduzido para o período das 20h às 6h locais (16h às 2h em Brasília), e a bolsa de valores informou no domingo que deve reabrir em 13 de fevereiro.

Mubarak reuniu-se em seu gabinete com o vice-presidente Omar Suleiman, com o porta-voz do Parlamento, Fathi Surur, e o presidente da Corte de Apelação egípcia, Sari Siyam, informou a agência de notícias Mena.

Reformas

Suleiman - possível sucessor de Mubarak - tentou amainar a revolta convidando diversos grupos de oposição para ajudá-lo nas "reformas democráticas". Mas os manifestantes não desistiram e mantiveram a vigília. Grupos de oposição, incluindo a poderosa Irmandade Muçulmana, repetiram seu pedido para que Mubarak renuncie ou delegue imediatamente seus poderes a Suleiman.

O governo informou que os partidos concordaram em formar um comitê em março para examinar emendas constituicionais, enquanto seriam analisadas as reclamações sobre o tratamento dado a prisioneiros políticos e as reivindicação para afrouxar o controle sobre a mídia.

Uma estrita lei de emergência poderá ser levantada "dependendo da situação de segurança", informou o governo. Mas Suleiman rejeitou a principal demanda da oposição, afirmando que não assumiria o cargo de Mubarak durante a transição.

A Irmandade Muçulmana, ainda banida oficialmente, informou ter concordado em participar dos encontros porque pretendia determinar se o governo estava comprometido com reforma, mas avisou que as concessões iniciais eram insuficientes .

Enquanto Mubarak afirmou estar "cheio" do poder, disse que precisa ficar no governo até as eleições presidenciais de setembro para garantir a estabilidade - mas as frustrações dos manifestantes agora encontram eco no exterior.

O chanceler da Espanha afirmou que as eleições precisam ser levadas adiante, mas a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que uma eleição antecipada traria complicações caso não haja organização entre os grupos de oposição.

Com AFP e AP

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