Mubarak chega de maca para julgamento histórico no Cairo

Além do ex-presidente egípcio, seus dois filhos e ex-funcionários do governo serão julgados

BBC Brasil |

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O julgamento do ex-presidente do Egito Hosni Mubarak começou nesta quarta-feira no Cairo, capital do Egito. O ex-líder do Egito, de 83 anos e que permaneceu quase 30 anos no poder, renunciou à Presidência no dia 11 de fevereiro, após 18 dias de protestos populares contra o seu regime.

Mubarak foi levado ao tribunal, na academia de polícia, em uma maca - para delírio de opositores que se aglomeravam na entrada da corte.

Ele é acusado de corrupção e de ter ordenado a morte de manifestantes - acusação que pode ser punida com a pena de morte. Manifestantes contra e a favor de Mubarak se enfrentaram diante do tribunal.

O ex-presidente egípcio é o primeiro líder árabe a ir a julgamento desde que teve início a onda de protestos populares em diferentes países do Oriente Médio. Correligionários de Mubarak e ativistas contrários ao seu regime trocaram insultos e lançaram pedras uns contra os outros.

Eles tiveram de ser contidos por forças de segurança em frente ao tribunal montado dentro da academia de polícia local. O júri estava inicialmente marcado para ocorrer em um centro de convenções na capital egípcia, mas as autoridades mudaram o local do julgamento para um fórum temporário dentro da academia, devido a questões de segurança.

Cerca de três mil homens, entre soldados e policiais, foram convocados para manter a ordem no local do julgamento. O ex-presidente estava hospitalizado na cidade de Sharm el-Sheikh desde abril e seus advogados afirmam que ele está muito doente - alegação que é vista com ceticismo por adversários de seu antigo governo. Mubarak foi transportado de avião de Sharm el-Sheikh para o Cairo e chegou ao tribunal de helicóptero.

Segurança

Um forte esquema de segurança foi montado em toda a cidade. Relatos indicam que as forças de segurança deram tiros de advertência na praça Tahrir, no centro da cidade, para dispersar manifestantes. O local foi palco dos protestos populares que levaram Mubarak a renunciar, em fevereiro deste ano.

Os filhos de Mubarak Alaa and Gamal também serão julgados, assim como o ex-ministro do Interior Habib al-Adly - já condenado a 12 anos de prisão - e seis autoridades do antigo regime. Foi construída uma cela para os réus. E a expectativa é de que cerca de 600 pessoas comparecerão ao julgamento.

O enviado especial da BBC ao Cairo, Jon Leyne, conta que muitos egípcios estavam céticos quanto à presença do ex-presidente no tribunal, já que muitos dentro da cúpula militar do país não desejam ver o ex-presidente sendo humilhado.

No último mês, novos protestos foram realizados na praça Tahrir, por pessoas cansadas com o ritmo das mudanças no país, considerado lento. Entre as demandas dos manifestantes à junta militar que comanda o país, está o julgamento mais rápido de autoridades do antigo regime. Na segunda e na terça-feira, a polícia, com o apoio de soldados, tirou da praça os últimos manifestantes.

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