Morte de Kadafi incentiva rebeldes na Síria e Iêmen, dizem analistas

Fim do líder deposto da Líbia deve dar novo ânimo aos manifestantes em outros países do mundo árabe

BBC Brasil |

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A morte do líder deposto da Líbia, Muamar Kadafi , deve ter como efeito imediato um novo fôlego nos protestos pró-democracia em outros países árabes, como Síria e Iêmen, dizem analistas ouvidos pela BBC Brasil. Após cerca de dois meses foragido, Kadafi foi morto nesta quinta-feira em sua cidade natal, Sirte.

AP
Manifestantes protestam contra presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, na capital do país, Sanaa (20/10)

"O destino de Kadafi após meses de luta armada dos líbios dará um impulso emocional para sírios e iemenitas. Não resta qualquer dúvida", disse o cientista político Paul Salem, diretor do Centro Carnegie para o Oriente Médio em Beirute.

Para o analista indpendente egípcio Mahan Abedin, especialista em política do Oriente Médio, o "fim de Kadafi" e o desenrolar dos acontecimentos na Líbia darão a certeza para os grupos que se opõem aos regimes na região de que um levante popular é a melhor saída. "Com três ditadores depostos, os árabes agora têm a certeza que a democracia é a saída para um futuro melhor na região", disse ele.

Além da queda de Kadafi na Líbia, o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak e o tunisiano Zine al-Abedine Ben Ali também foram depostos por pressão popular. Ao contrário do Egito e da Tunísia, que viram seus presidentes caírem após semanas de protestos, os líbios entraram em luta armada para tirar Kadafi do poder.

Para Abedin, sírios e iemenitas devem ir às ruas com maior intensidade para exigir mudanças, enquanto que os líderes destes países sentirão uma pressão maior vendo mais um governante árabe ter um fim ao estilo do iraquiano Saddam Hussein.

"Bashar al-Assad (presidente sírio) e Ali Abdullah Saleh (presidente do Iêmen) devem tirar lições de Kadafi e seu fim. Eles não conseguirão se manter contra uma onda de revoluções na região sem uma consequência pessoal para eles", afirmou.

Síria e Iêmen enfrentam uma onda de protestos populares há mais de seis meses e que já deixou milhares de pessoas mortas. Na Síria, a ONU estima que a repressão do governo às manifestações que pedem a saída de Assad do poder e reformas democráticas deixou cerca de 3 mil mortos.

No Iêmen, há confrontos entre tropas leais ao governo e manifestantes de diversos grupos oposicionistas, incluindo tropas desertoras do exército.

Muamar Kadafi, de 68 anos, estava no comando da Líbia desde 1969 , quando depôs o rei Idris 1º em um golpe de Estado sem derramamento de sangue.

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