Monitores apontam irregularidades durante eleição no Egito

Segundo dia do segundo turno das eleições distritais é marcado por práticas proibidas, como boca de urna e ônibus para eleitores

iG São Paulo |

Monitores independentes pediram nesta terça-feira uma fiscalização mais rigorosa das eleições parlamentares do Egito, que está agora no segundo turno das eleições distritais, em que grupos islâmicos rivais tentam ampliar suas conquistas anteriores.

Leia também: Partidos islâmicos tentam ampliar vantagem em 2º turno no Egito

AP
Menina egípcia distribui panfletos em apoio ao candidato Mohsen Fawzy do lado de fora de um colégio eleitoral no Cairo, no Egito

Os salafistas do Al Nour, islamistas mais radicais, conseguiram um surpreendente segundo lugar na semana passada, atrás da bem organizada Irmandade Muçulmana. Essa é a primeira eleição livre no Egito em mais de seis décadas, e a primeira desde a rebelião popular que encerrou em fevereiro três décadas do governo de Hosni Mubarak .

Cifras divulgadas pela comissão eleitoral mostraram que a lista do PJL teve 36,6% dos votos válidos na votação por listas partidárias na semana passada. O Al Nour veio em seguida, com 24,4%, e o liberal Bloco Egípcio ficou em terceiro, com 13,4 %.

A eleição terá ainda mais uma etapa, em janeiro, e o processo pode conferir aos políticos islamistas legitimidade para desafiar o domínio dos militares sobre o país. Sob pressão popular, a junta militar egípcia aceitou antecipar em seis meses a transferência do poder a um presidente civil, o que deve ocorrer em meados de 2012.

Mas os grupos islamistas não estão unidos, e dificilmente formarão uma coalizão parlamentar. Assim, os liberais terão espaço para participar do futuro governo e para influenciar no processo de elaboração de uma nova Constituição.

O Partido Al Nour e o Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade, disputam cerca de metade das 52 vagas parlamentares a serem decididas na votação de segunda e terça-feira, em distritos onde nenhum candidato obteve mais de 50 por cento dos votos na primeira rodada.

Ao contrário do que ocorreu na primeira fase, dessa vez não há longas filas nas seções eleitorais. Mas a campanha de boca de urna, que é proibida, continua. "Até agora, não vimos uma medida positiva para limitar esse fenômeno. Ele foi disseminado na primeira etapa, e deveria ter sumido no segundo turno, mas continua visível em frente às seções eleitorais", disse Tarek Zaghloul, gerente-executivo da Organização Egípcia de Direitos Humanos, que participa do monitoramento.

Ele observou também que os partidos estão usando slogans religiosos e disponibilizando ônibus para transportar eleitores - duas práticas proibidas. As autoridades eleitorais admitiram as violações e prometeram agir, mas disseram que as irregularidades não afetaram a legitimidade do pleito. Monitores independentes fizeram uma avaliação semelhante.

Mas a comissão surpreendeu ao reduzir de 62 para 52 por cento a sua estimativa de comparecimento do eleitorado às urnas no primeiro turno.

Pelo complexo sistema eleitoral egípcio, dois terços das 498 cadeiras parlamentares serão definidas de acordo com o voto em listas partidárias, e o restante sairá de disputas individuais nos distritos.

Dentro do espectro islâmico, há desde os radicais salafistas - que defendem a proibição do biquíni em praias frequentadas por estrangeiras e o fim da venda de bebidas alcoolicas - até centristas.

Na lista do PLJ, um quinto das vagas é ocupada por partidos minoritários, incluindo o liberal Al Ghad (Amanhã) e o esquerdista Karama (Dignidade).

As eleições dessa segunda e terça-feira mostraram a grande tensão entre o Al Nour e o Partido Liberdade e Justiça. Na segunda-feira, em Assiut, sul do país, partidários do Gamaa Islamiya, um dos partidos que integram o Al Nour, atacaram e perseguiram funcionários da campanha da Irmandade Muçulmana que estavam em frente a um colégio de votação.

A Irmandade também afirmou que um de seus candidatos recebeu ameaças de morte e que um clérigo foi espancado por funcionários da campanha do Gamaa Islamiya.

Com Reuters

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