Missão humanitária diz que bairro de Homs está destruído e deserto

Valerie Amos, da ONU, e Crescente Vermelho passam 45 minutos em Baba Amr, principal alvo de ofensiva das forças de segurança síria

iG São Paulo |

A chefe para ajuda humanitária da ONU, Valerie Amos, afirmou nesta quarta-feira que o bairro de Baba Ams, principal alvo da ofensiva militar na cidade síria de Homs, está “destruído”, segundo informou sua porta-voz. A declaração foi feita após uma visita de Valerie ao bairro , acompanha por voluntários do Crescente Vermelho, um braço da Cruz Vermelha, que disse ter encontrado o local praticamente deserto.

A porta-voz de Valerie, Amanda Pitt, disse que, segundo a chefe para ajuda humanitária da ONU, a cidade parecia “ter sido fechada”. Ela ouviu tiros durante a visita, que segundo o Crescente Vermelho durou 45 minutos. “Os voluntários disseram que a maior parte dos moradores fugiu para outras áreas de Homs”, disse o porta-voz da organização em Genebra, Hicham Hassan.

Leia também: Chefe de ajuda humanitária da ONU entra em Baba Amr

AFP
Imagens divulgadas pela Síria mostram momentos da visita de Valerie Amos ao país

Ativistas acusam o governo sírio de impedir a entrada de ajuda humanitária em Baba Amr. Equipes de ajuda humanitária da Cruz Vermelha esperam desde sexta-feira para conseguir entrar no distrito, mas autoridades sírias bloquearam sua passagem alegando perigo e riscos de ataque por artilharia aérea.

A operação militar em Homs reforçou a condenação internacional à repressão do governo sírio à revolta contra o presidente Bashar Al-Assad, que começou há quase um ano.

Nos Estados Unidos, o debate sobre uma eventual ação militar na Síria ganhou força e nesta quarta-feira a ideia foi defendida por um dos mais influentes senadores do país, o ex-candidato à presidência John McCain.

Principal republicano no Comitê do Senado para as Forças Armadas, McCain disse que as mais de 7,5 mortes de civis estimadas na Síria pedem uma ação dos EUA.

Segundo ele, ataques aéreos devem ser usados para pôr fim à repressão, como ocorreu na missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia . “No passado, nós lideramos. Não estamos liderando agora”, afirmou.

Diante do comitê, o secretário de Defesa, Leon Panetta, disse que o governo americano acredita que a diplomacia é a melhor forma de resolver a crise – ainda que todas as opções estejam sendo consideradas. “Não há respostas fáceis para essa situação terrível”, afirmou Panetta. “Não faz sentido optar por uma ação unilateral agora. Temos de ter certeza sobre qual é a missão e o que ela vai conseguir obter.”

O presidente americano, Barack Obama, caracterizou uma ação militar unilateral dos EUA contra o regime sírio de um "erro" , afirmando que a situação no país é mais complicada do que na Líbia.

Os EUA propuseram na terça-feira aos demais membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU um novo projeto de resolução sobre a Síria, que pede o fim da violência e o acesso imediato aos funcionários humanitários, além de dar apoio à iniciativa de transição da Liga Árabe.

A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, apresentou o texto aos representantes de Rússia, China, França e Reino Unido, em reunião a portas fechadas que também teve a participação do Marrocos como representante do grupo de países árabes.

O projeto de resolução tem uma vertente humanitária e também política, e pede o fim da violência tanto às autoridades sírias como à oposição, além de condenar as violações dos direitos humanos cometidas pelo regime de Assad.

Com AP, BBC e AFP

    Leia tudo sobre: assadmundo árabeprimavera árabehomsonusíria

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG