Missão britânica na Líbia retorna para a Grã-Bretanha

Rebeldes rejeitaram diálogo com comitiva britânica por considerar que soldados entraram de maneira ilegal

iG São Paulo |

Uma missão diplomática britânica detida ao leste da Líbia pelos rebeldes da oposição ao regime de Muamar Kadafi foi libertada e deixou o país norte-africano neste domingo, dia 6, segundo confirmou o Ministério de Relações Exteriores do Reino Unido. O responsável pela pasta, William Hague, afirmou em comunicado que uma "unidade" do governo britânico, que incluía sete militares do Serviço Especial Aéreo e e um diplomata, abandonou o país. A comitiva estava na Líbia em uma missão secreta.

O objetivo da unidade, detida há dois dias, era "para iniciar contatos com a oposição", segundo afirma Hague na nota. O ministro acrescentou que a comitiva teve "dificuldades que agora foram satisfatoriamente resolvidas e já abandonou Líbia".

 A direção rebelde líbia rejeitou qualquer diálogo com a missão britânica, por considerar que os soldados entraram "de maneira ilegal". "Damos as boas-vindas a qualquer delegação britânica, mas tem que ser de forma oficial", afirmou o porta-voz do Conselho Nacional rebelde em entrevista coletiva que ofereceu na cidade de Benghazi, em poder da oposição desde o dia 17 de fevereiro.

O ministro britânico explicou que a intenção é enviar outra equipe à Líbia após consulta prévia para reforçar o diálogo com os rebeldes. Também especificou que o "esforço diplomático" do Executivo de David Cameron faz parte "do trabalho mais amplo que desempenha o Reino Unido na Líbia, no qual inclui o apoio humanitário". "Continuamos pressionando Kadafi para que abandone o poder para trabalharmos com a comunidade internacional para respaldar as legítimas ambições dos cidadãos líbios", apontou.

Segundo informou neste domingo a emissora pública britânica "BBC", os detidos deixaram a cidade de Benghazi a bordo da fragata britânica HMS Cumberland. A "BBC" assinalou que os soldados dessa unidade de operações especiais escoltavam um diplomata britânico que tratava de estabelecer um primeiro contato com os rebeldes opositores ao regime de Kadafi e que chegaram em helicóptero na sexta-feira passada. A comitiva foi detida quando guardas de segurança líbios detectaram que levava armas, munição, explosivos, mapas e passaportes de, pelo menos, quatro nacionalidades diferentes, segundo indica o citado canal.

Missão diplomática

A alta representante da União Europeia, Catherine Ashton, enviou neste domingo uma equipe de observação à Líbia que analisará a situação no território antes da cúpula extraordinária de líderes europeus convocada para tratar dos últimos acontecimentos no país.

A missão, de caráter técnico, é a primeira a ser enviada desde o início da rebelião, segundo Catherine afirmou em comunicado.

"Decidi enviar essa missão de alto nível para levantar informações em primeira mão e em tempo real, que servirão de base para as discussões anteriores ao Conselho Europeu Extraordinário na sexta-feira de 11 de março.

A equipe de observadores terá como tarefa principal analisar a situação humanitária na Líbia, com a meta de avaliar a necessidade de ajuda internacional adicional.

Catherine agradeceu a colaboração do governo italiano e do ministro das Relações Exteriores do país, Franco Frattini, para iniciar "essa importante missão".

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia se reunirão em 11 de março em Bruxelas para tratar da situação na Líbia e no norte da África, um encontro que foi solicitado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Mensagem do papa

Neste domingo, o papa Bento 16 manifestou uma 'grande preocupação' com as tensões registradas em vários países da África e Ásia, entre eles Paquistão e Líbia, depois da benção do Angelus na Praça de São Pedro.

"Rogo ao senhor Jesus que o sacrifício comovente do ministro paquistanês Shahbaz Bhatti desperte nas consciências o valor e o compromisso de respeitar a liberdade religiosa de todos os homens e, assim, promover uma dignidade igual para todos", disse Bento 16 no sermão aos fiéis reunidos no Vaticano.

Shahbaz Bhatti, católico militante que defendia o fim da pena de morte em caso de blasfêmia e fervoroso defensor da minoria cristã paquistanesa, foi assassinado em 2 de março em Islamabad por criminosos.

O ministro paquistanês para as Minorias Religiosas era o único católico do governo e havia sido ameaçado de morte pelos extremistas islâmicos.

AFP
Em declarações neste domingo, papa Bento 16 abordou pela primeira vez a crise na Líbia e lamentou violência no país

"Meus pensamentos se dirigem em seguida à Líbia, onde recentes combates provocaram muitas mortes e uma crise humanitária crescente", disse o papa.

"A todas as vítimas e aos que se encontram em situações angustiantes, asseguro minha oração e minha proximidade, e invoco a assistência e o socorro para as populações afetadas."

Essa é a primeira reação direta do chefe da Igreja Católica sobre os acontecimentos na Líbia.

* EFE e AFP

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