Ministro egípcio renuncia por repressão a protesto de cristãos

Beblawi justificou decisão afirmando que discordava da postura do governo em distúrbios que deixaram 25 mortos no domingo

iG São Paulo |

O vice-primeiro-ministro egípcio, que também acumula a pasta de Finanças, Hazem Beblawi, apresentou nesta terça-feira sua renúncia diante do chefe do governo egípcio, Essam Sharaf, anunciou a agência oficial egípcia Mena. Beblawi havia sido nomeado pelo conselho militar que assumiu o poder após os protestos que forçaram a renúncia de Hosni Mubarak no início deste ano.

AFP
Cristãos coptas do Egito carregam caixões de vítimas de confrontos durante funeral no Cairo na madrugada desta terça-feira
Beblawi justificou a medida com a afirmação de que discordava da postura do governo nos distúrbios de domingo entre cristãos coptas e o Exército, informaram fontes de seu partido.

"Apesar de que possa não haver responsabilidade direta do governo, a responsabilidade, no fim das contas, é do governo", disse Beblawi citado pela Mena. "As circunstâncias atuais são muito difíceis e requerem uma forma nova e diferente de pensar e trabalhar", afirmou.

Segundo as fontes, sua saída do posto se deve a duas razões: um pedido feito pelo Partido Egípcio Democrático e Social e a atuação do Executivo na crise com os coptas.

Os enfrentamentos entre os militares e cristãos deixaram pelo menos 25 mortos e mais de 300 feridos no domingo. Cerca de 2 mil manifestantes haviam se reunido em frente à sede da radiotelevisão pública egípcia em protesto contra a queima de uma igreja copta na Província de Aswan, no sul do país, no mês passado.

A demonstração, que havia começado pacificamente, tornou-se violenta e envolveu manifestantes, residentes e soldados. O conselho militar ordenou uma rápida investigação sobre o incidente .

A renúncia de Beblawi ocorre enquanto membros da comunidade cristã copta começaram três dias de jejum em luto pelos que foram mortos.

Os coptas, que representam 10% da população de 85 milhões do Egito, tem várias reclamações contra o conselho militar, que está encarregado temporariamente do poder enquanto eleições são organizadas. Eles dizem que as autoridades têm sido lentas em punir islâmicos radicais que atacaram suas igrejas.

*Com EFE e BBC

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