Ministro de Petróleo líbio abandona Kadafi e refugia-se na Tunísia

Deserção de Ghanem, que não foi confirmada por Trípoli, representa duro golpe para Kadafi; ele é o quarto ministro a deixar regime

iG São Paulo |

AP
Foto de 09/03/2011 mostra Shukri Ghanem, ex-ministro do Petróleo da Líbia
O ministro do Petróleo da Líbia fugiu para a vizinha Tunísia no fim de semana, anunciou o Ministério do Interior tunisiano nesta terça-feira, no que parece ser outra deserção de alto nível do regime do cada vez mais isolado líder líbio, Muamar Kadafi. Autoridades em Trípoli disseram que o ministro estava em uma viagem de negócios fora do país.

No entanto, o principal grupo de oposição da Líbia, o Conselho Nacional de Transição, disse que ainda não têm a confirmação de que  realmente desertou.

Shukri Ghanem, que foi presidente da poderosa companhia estatal de petróleo líbia NOC, entrou em território tunisiano pelo posto de fronteira de Ras al-Jedir e se estabeleceu na ilha de Djerba (leste do país), com várias outras autoridades líbias, segundo fontes da Tunísia.

O ministro do Petróleo, que retornou à direção da companhia de hidrocarbonetos líbia no final de 2009 após ter sido destituído três anos antes, chegou a Djerba em uma operação sigilosa.

A deserção de Ghanem, que não foi confirmada pelo regime de Trípoli, representa um duro golpe para Kadafi, já que ele era um dos dirigentes mais influentes dentro do círculo de poder líbio. Era considerado como um dos homens mais fiéis ao coronel, e à frente do NOC e do Ministério do Petróleo dirigia todas as molas do poder econômico do regime.

Desde o início de abril, Ghanem figurava entre os cinco altos cargos do governo líbio contra quem o Departamento do Tesouro americano havia estendido a aplicação de suas sanções econômicas contra a Líbia. Com ele já são quatro os ministros de Kadafi a desertar.

Também há informações de que Mohammed, o filho mais velho do líder líbio, Muamar Khadafi, foi para a Tunísia para se submeter a um tratamento médico.

Rússia

Também nesta terça-feira, a Rússia pediu para que a Líbia pare de usar violência contra civis e obedeça à resolução da ONU, que autorizou os ataques da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) contra as forças pró-Kadafi para proteger a população.

O ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, que se reuniu com dois enviados de Kadafi em Moscou, afirmou que a resposta dos enviados líbios "não pode ser chamada de negativa".

Falando ao canal de televisão russo Rossiya 24, Lavrov falou em otimismo e cautela e disse que pediu aos enviados líbios que o país garantisse "medidas específicas, por exemplo, a retirada de unidades militares das cidades, o estabelecimento de zonas de segurança".

"Também pedimos que eles cooperem com a ONU em termos de entregar ajuda humanitária a todo o território da Líbia", disse.

O governo da Rússia se recusa a aceitar os rebeldes como poder legítimo da Líbia e ainda tem laços formais com Kadafi. "O mais importante no momento é concordar com termos e cronograma de uma trégua", disse o ministro.

A Otan afirmou que ataques aéreos na capital líbia, Trípoli, na manhã desta terça-feira, atingiram prédios importantes da agência de inteligência do país, além de uma base de treinamento usada pelos guarda-costas de Kadafi.

Um porta-voz líbio tinha dito mais cedo que os prédios atingidos não tinham importância militar. Os ataques aéreos da Otan ocorreram horas depois de o complexo onde Kadafi mora, em Trípoli, ter sido atingido novamente por um novo bombardeio.

*Com NYT, EFE e BBC

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