Ministro da Cultura renuncia em protesto contra violência no Egito

Abu Ghazi deixa cargo por não concordar com forma como junta militar conduz repressão contra manifestações no Cairo

iG São Paulo |

O ministro da Cultura do Egito, Emad Abu Ghazi, renunciou nesta segunda-feira em protesto contra a repressão das demonstrações na Praça Tahrir, no Cairo, desde domingo. Os manifestantes exigem o fim do poder militar instaurado desde a queda de Hosni Mubarak , em 11 de fevereiro. Os três dias de confrontos deixaram dezenas de mortos e mais de 1,7 mil feridos.

Reuters
Manifestante lança bomba de gás previamente lançada pela polícia na praça Tahrir, no Cairo
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Abu Ghazi entregou sua renúncia ao Conselho Supremo das Forças Armadas - que assumiu o poder quando Mubarak foi deposto - em protesto contra a forma como o governo conduziu os recentes eventos na Praça Tahrir. "Apresento minha demissão para protestar contra a maneira com que o governo tratou os últimos eventos na Praça Tahrir", afirmou.

Nesta segunda-feira, a polícia usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes , espalhados em pequenos grupos na praça e seus arredores, que respondiam com pedras.

A uma semana das eleições parlamentares, os manifestantes acusam a junta militar responsável pela transição para a democracia de tentar manter seu poder no país após a eleição de um governo civil. Eles pedem a renúncia do marechal Hussein Tantawi, que lidera o governo militar, e a instituição de um conselho civil.

Uma declaração divulgada pelo gabinete do governo disse que as eleições, previstas para começar no dia 28 de novembro, serão realizadas e elogiou a "moderação" das forças do Ministério do Interior contra os manifestantes. Ao todo, o processo eleitoral levará três meses.

Nas últimas semanas, manifestantes, em sua maioria islamistas e jovens ativistas, vêm protestando contra um projeto de Constituição que, segundo eles, permitiria que os militares mantivessem muito poder. Segundo o projeto, os militares e seu orçamento não ficariam sujeitos a uma supervisão civil.

Isso irritou os manifestantes, que temem que as conquistas feitas durante o levante popular contra o regime de Mubarak sejam apagadas pela nova posição dos militares em um governo civil.

Os confrontos começaram no sábado, depois da realização de manifestações contra a junta militar no Cairo e outras cidades, como Alexandria, Suez e Aswan, na sexta-feira. Alguns jornais egípcios chamam os eventos de "a segunda revolução".

Na noite de domingo, a polícia fez uma tentativa violenta de retirar os milhares de manifestantes que ocupavam a praça Tahrir, mas eles retornaram à praça, gritando palavras de ordem, apenas uma hora após a ação da tropa de choque.

Testemunhas descreveram cenas de pânico quando centenas de soldados e policiais batiam na cabeça dos manifestantes tentando expulsá-los da praça. Alguns acusam as forças de segurança de atirar usando balas de verdade, alegação que é negada pela polícia.

*Com AFP, AP e BBC

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