Militares do Egito anunciam medidas de controle após avanço islâmico

A Comissão Eleitoral anunciou que o PLJ, braço político da Irmandade Muçulmana, venceu a primeira fase das três fases da eleição

iG São Paulo |

A junta militar do Egito disse na quarta-feira que contralará o processo de redação constitucional e manterá autoridade sobre o governo interino para fiscalizar o poder dos islâmicos que detêm uma ampla vantagem nas eleições parlamentares iniciadas em 28 de novembro.

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AP
Caixas de cédulas são vistas dentro de ônibus antes de serem apuradas no Cairo (06/12)
Na noite de quarta, a comissão eleitoral anunciou que o Partido Liberdade e Justiça (PLJ), braço político da organização islâmica Irmandade Muçulmana, venceu a primeira das três fases das eleições legislativas.

Segundo o jornal The New York Times, o general Mukhtar al-Mulla da junta militar afirmou que o resultado das eleições iniciais para o Parlamento não representam a população inteira do Egito, em parte por conta da vitória dos islamistas.

Embora nos planos iniciais da transição os militares tivessem prometido que o Parlamento poderia escolher 100 membros para elaborar a Constituição, o general Mulla deixou claro que a junta não tem mais essa intenção.

“Os membros da maioria do Parlamento não serão os únicos representados na assembleia da Constituição”, disse ele, questionando a premissa de que o corpo eleito representa a maioria da população. “Nós temos muitos outros grupos como trabalhadores, fazendeiros, engenheiros, médicos que não estão no Parlamento."

O general Mulla insistiu que o conselho militar não intervirá diretamente no processo constitucional ou nomeará os indivíduos do comitê de elaboração. Em vez disso, ele disse que o conselho apontará um comitê consultivo civil que incluiria representantes de partido, bem como artistas e intelectuais. Esse grupo de 30 membros faria sugestões ao conselho militar ao mesmo tempo em que representariam os militares no Parlamento.

“Eles deveriam representar todos os egípcios, e ninguém poderia se opor a essa demanda", disse.

A Irmandade Muçulmana condenou com veemência o desejo do Exército de utilizar o governo, sobre o qual tem a tutela, e esse conselho consultivo não-eleito para "marginalizar" o Parlamento, encarregado de nomear a comissão que redigirá a próxima Constituição do Egito após a queda de Hosni Mubarack .

O general Mulla reconheceu também que o último cronograma estabelecido pelos militares para a transição civil deixa apenas um mês para a elaboração da Constituição entre a escolha do Parlamento e o início da corrida presidencial. Mas ele deu a entender que acredita que a antiga Constituição egípcia - construída por um único partido que governava o país - não deverá precisar de muitas reparações.

"Muitos legisladores estão dizendo que temos uma boa Constituição exceto pelo capítulo 5, que fala sobre eleilção presidencial. Mudaremos esse capítulo”, disse.

Resultados Eleitorais

O PLJ alcançou 36,6% dos votos destinados às listas de partidos, seguido pela legenda salafista (fundamentalistas islâmicos) Al-Nour, com 24,3%. Os liberais, divididos em seis listas, conseguiram 29,4% - e são considerados os grandes perdedores da primeira etapa de votação.

Os resultados reafirmam a arrasadora maioria conseguida pelas correntes islamitas. Com mais de 60% dos votos, eles conquistaram praticamente três em cada quatro cadeiras em disputa no segundo turno da primeira fase eleitoral organizada em um terço dos governos.

Das 56 cadeiras em disputa na Assembleia Popular (Câmara dos Deputados), 36 candidatos ligados à Irmandade Muçulmana foram eleitos, assim como cinco do partido salafista Al-Nour, seis dos independentes e sete de vários partidos, incluindo liberais. Duas não foram definidas em consequência da suspensão da eleição em uma circunscrição do Cairo por irregularidades.

O complexo sistema de apuração prevê a eleição de dois terços dos deputados restantes de acordo com uma lista proporcional. A eleição dos 498 deputados acontece em três etapas nos 27 governos do país. Nove regiões votarão a partir de 14 de dezembro e as últimas nove em janeiro.

Em coletiva após o fim do segundo turno da primeira fase, o presidente da Comissão Suprema Eleitoral, Abdelmoaiz Ibrahim, anunciou que a participação alcançou 59,1%, corrigindo os números divulgados anteriormente de 62%. No total, foram contabilizados 10,3 milhões de votos, dos quais mais de 600 mil foram considerados nulos, sobre um total de 17,5 milhões de eleitores convocados às urnas.

Com AFP, EFE e New York Times

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