Milhares voltam às ruas em protesto contra presidente do Iêmen

Ali Abdullah Saleh tenta reforçar sua base de apoio e diz que responsáveis por manifestações estão dividindo o país

Reuters |

Dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas do Iêmen nesta terça-feira, em um novo "Dia de Fúria" dedicado a 24 iemenitas mortos em manifestações anteriores contra o presidente Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos.

Os protestos no país - um dos mais pobres do mundo árabe - começaram há dois meses e cresceram inspirados em outras revoltas da região, como na Tunísia e Egito. Uma das principais motivações dos manifestantes é reagir à corrupção e ao desemprego.

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Manifestante protesta contra o governo do Iêmen na capital, Sanaa

Saleh tem se reunido com líderes militares e tribais para reforçar sua base de sustentação, mas, com escassez de recursos hídricos e petrolíferos, seu governo não tem mais capacidade de comprar o apoio de aliados.

O presidente propôs na segunda-feira uma negociação para formar um governo de unidade nacional. Mas a oposição prontamente rejeitou a oferta, reiterando a exigência de que Saleh renuncie.

Em reunião com líderes religiosos, também na segunda-feira, Saleh afirmou que os responsáveis pelos protestos estão dividindo o país. "Eles não seriam capazes de governar nem por uma semana", disse, segundo a imprensa estatal. "O Iêmen ficaria dividido em quatro pedaços por aqueles que estão surfando na onda da estupidez."

Os confrontos são mais violentos na cidade portuária de Áden (sul do país), onde manifestantes e policiais entram frequentemente em choque, e várias mortes já ocorreram desde janeiro.

Muitos manifestantes se queixam de que as forças de segurança agem com mais violência na região, que já foi um país independente e agora tem um movimento separatista.

Na noite de segunda-feira, grupos tribais sequestraram um médico uzbeque que trabalha na província de Shabwa, na região central do Iêmen, onde há presença de separatistas sulistas e de militantes da Al-Qaeda. Abdulhamid Jun foi levado para a vizinha província sulista de Abyan, onde em dezembro de 2009 um bombardeio contra supostos militantes da Al-Qaeda deixou dezenas de mortos.

"Eles o levaram para pressionar o governo a punir as pessoas por trás do bombardeio", disse à Reuters um ativista tribal em Shabwa. "As pessoas estão aborrecidas com o governo por não tratar dessa questão."

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