Milhares protestam contra o governo no Iêmen, Bahrein e Omã

Manifestantes saíram às ruas de cidades dos dois países para exigir reformas políticas

iG São Paulo |

Dezenas de milhares de iemenitas participaram de manifestações nesta segunda-feira pela renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos. Uma fonte no governo disse que Saleh está disposto a formar um governo de união nacional, mas uma coalizão de partidos oposicionistas rejeitou a proposta.

"A oposição decidiu ficar com o povo, mantendo a exigência de queda do regime. Não haverá recuo quanto a isso", disse Mohammed al-Sabry, porta-voz da coalizão de grupos oposicionistas.

Testemunhas disseram que cerca de 5 mil manifestantes acampados perto da Universidade de Sanaa participaram do protesto na capital. "Temos uma exigência: a queda do opressor", gritavam. "Vá embora e leve a corrupção com você!"

Os protestos contra Saleh começaram há mais de um mês em Snaa e se espalharam pelo país, o mais pobre da Península Arábica. Em Ibb e Hudeida (norte) os protestos reuniram milhares de pessoas. Havia pelo menos 10 mil manifestantes nas ruas de Taiz, 200 quilômetros ao sul da capital.

Omã

Também nesta segunda-feira, manifestantes que reivindicam empregos e reformas políticas bloquearam o acesso ao principal porto de Omã, enquanto saqueadores atacavam um supermercado próximo e os protestos chegavam à capital.

Centenas de pessoas bloquearam o acesso a uma área industrial que inclui o porto, uma refinaria e uma fábrica de alumínio. Uma porta-voz do porto disse que o movimento no terminal, por onde são exportados diariamente 160 mil barris de derivados de petróleo, não foi afetado.

"Queremos ver os benefícios da nossa riqueza petrolífera sendo distribuídos igualitariamente para a população", disse um manifestante por um megafone. "Queremos ver uma redução nos estrangeiros em Omã, para que mais empregos sejam criados para os omanis."

Outras cidades também tiveram manifestações pacíficas, e centenas de pessoas protestaram diante de um complexo de ministérios e em outro local em Mascate, a capital.

Os protestos - parcialmente inspirados nas rebeliões em outros países árabes, como Egito e Tunísia - são uma rara manifestação de descontentamento no país, governado há quatro décadas pelo sultão Qaboos bin Said.

Tentando acalmar as tensões, o sultão prometeu no domingo criar mais empregos, conceder benefícios para desempregados e estudar a ampliação das atribuições do Conselho Consultivo, para que fique mais parecido com um Parlamento.

No domingo, a polícia abriu fogo contra manifestantes. Um médico disse que seis pessoas morreram no domingo em confrontos envolvendo manifestantes e policiais na cidade industrial de Sohar (norte). O ministro da Saúde do país afirmou que houve apenas um morto, além de 20 feridos.

Um supermercado, uma delegacia e dois prédios públicos de Sohar foram incendiados. No supermercado, pessoas vasculhavam os escombros em busca de produtos.

Bahrein

Centenas protestaram em frente à câmara alta do Parlamento do Bahrein e impediram a realização de uma sessão.  Estudantes de escolas de ensino médio também fizeram manifestações nesta segunda-feira em apoio às revoltas populares no país, iniciadas em 14 de fevereiro, que exigem reformas políticas.

Além disso, alunos de uma universidade politécnica dos arredores de Manama caminharam em direção ao prédio da televisão estatal BTV para criticar o que consideram uma campanha da imprensa contra os manifestantes.

Além das reivindicações políticas, que incluem desde a queda do governo à instauração de uma monarquia constitucional, os manifestantes pedem a libertação dos presos e o julgamento dos responsáveis pelos ataques contra os manifestantes.

Com Reuters

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