Milhares protestam contra morte de manifestantes na Síria

Multidão marcha em direção ao cemitério de Daraa pedindo "liberdade" após "massacre" que deixou ao menos 15 mortos

iG São Paulo |

Milhares saíram às ruas da cidade de Daraa, na Síria, nesta quinta-feira para protestar contra a morte de manifestantes pelas forças de segurança do governo. Segundo testemunhas ouvidas pela agência AP, uma multidão marcha em direção ao cemitério local gritando a palavra "liberdade".

No centro de Daraa, a presença militar foi reforçada. Na quarta-feira, forças de segurança sírias abriram fogo contra centenas de pessoas que protestavam contra as mortes de manifestantes antigoverno em uma ação na madrugada na cidade de Deraa, no sul do país.

Segundo opositores, a repressão ao protesto deixou 15 mortos . O número de vítimas, porém, é incerto. Um médico do hospital de Deraa disse à agência Reuters ter recebido 25 corpos, enquanto alguns grupos dizem que os mortos podem passar de cem. Devido às restrições dos trabalhos de jornalistas na Síria, a imprensa internacional têm dificuldade para confirmar as informações.

AFP
Médico com avental sujo de sangue é visto em sala de emergência depois de tratar feridos em hospital em Daraa, Síria

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu uma "investigação transparente" sobre os responsáveis pelas ações. O Departamento de Estado dos Estados Unidos se disse "profundamente preocupado pelo uso da violência pelo governo sírio, pela intimidação e pelas prisões arbitrárias para conter a habilidade de seu povo de exercer livremente seus direitos universais".

Os protestos contra o governo no sul do país, inspirados nas manifestações pró-democracia que vêm ocorrendo em outros países da região, são o maior desafio ao presidente Bashar al-Assad desde que ele assumiu o poder, sucedendo o próprio pai após sua morte, há 11 anos. A Síria é governada sob leis de emergência desde 1963.

'Massacre'

A violência desta quarta-feira começou durante a madrugada, quando centenas de pessoas se juntaram nas ruas no entorno da mesquita Omari, base das manifestações contra o governo desde a sexta-feira, para evitar que as forças de segurança invadissem o local.

Testemunhas disseram que pouco após a meia-noite o suprimento de energia para o local foi cortado e a polícia começou a disparar tiros e bombas de gás contra os manifestantes. Um ativista de direitos humanos disse ao serviço árabe da BBC que houve "um massacre" de "cidadãos inocentes, sem defesa e pacíficos, que estavam promovendo protestos pacíficos e que não tinham nem mesmo pedras para se defender".

A TV estatal da Síria disse que uma quadrilha armada estaria operando de dentro da mesquita e mostrou o que seriam armas e munições guardadas no local. A TV também disse que o grupo estaria sequestrando crianças e as usando como escudos humanos.

Segundo o relato da TV estatal, as forças de segurança mataram quatro membros da quadrilha. À tarde, centenas de jovens dos vilarejos vizinhos de Inkhil, Khirbet, Ghazaleh e al-Harrah, se reuniram ao norte de Deraa e tentaram seguir em passeata ao centro da cidade.

Com BBC e AP

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