Manifestantes lotam praça do Cairo em protesto contra proposta para a Constituição dez dias antes da primeira etapa das eleições

Milhares protestam contra conselho militar na Praça Tahrir, no Cairo, capital do Egito
AP
Milhares protestam contra conselho militar na Praça Tahrir, no Cairo, capital do Egito

Milhares de manifestantes protestaram contra o governo militar do Egito na Praça Tahrir, no Cairo, epicentro das manifestações que forçaram a renúncia do ex-presidente Hosni Mubarak em fevereiro.

O protesto desta sexta-feira foi convocado por vários grupos políticos, entre eles a Irmandade Muçulmana, a poucos dias das eleições legislativas, que começam em 28 de novembro e terão três etapas. O novo Parlamento que deverá redigir a nova Constituição do país.

Muitos dos manifestantes chegaram à praça com bandeiras egípcias e cartazes contra a junta militar que governa o país desde a renúncia de Mubarak.

Dezenas de egípcios passaram a noite no local, dormindo em papelões colocados no chão.

O motivo do protesto é uma proposta da junta militar no qual estão especificados 23 pontos que a nova Constituição deveria respeitar.

Os mais controversos fazem alusão direta ao papel das Forças Armadas e a autonomia do poder Executivo que será garantida.

O artigo 9 reserva ao Conselho Supremo das Forças Armadas, máxima autoridade do país atualmente, a competência exclusiva de supervisionar "tudo o que é referente às Forças Armadas e a seu Orçamento".

Além disso, se a Junta Militar considerar que a minuta da Constituição contradiz algum dos princípios básicos do Estado, teria o poder de pedir sua revisão, e em última instância dissolver a Assembleia Constituinte e delegar a redação do texto a uma nova.

De acordo com a Irmandade Muçulmana, a minuta proposta pelo vice-primeiro-ministro Ali al-Selmi "causou uma perigosa crise na sociedade política egípcia, porque inclui cláusulas que tiram a soberania do povo e consagram uma ditadura".

Com EFE

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