Milhares protestam contra governo no Iêmen, Líbia e Jordânia

Países do mundo árabe têm choques entre manifestantes pró e contra governo, enquanto polícia tenta reprimir manifestações

iG São Paulo |

Manifestações antigoverno acontecem nesta sexta-feira em cidades de Iêmen, Líbia, Bahrein, Jordânia e Djibuti, onde milhares realizam protestos inspirados nas revoltas populares de Tunísia e Egito , que levaram à queda de presidentes que estavam no poder há décadas.

No Iêmen, opositores saíram às ruas pelo oitavo dia consecutivo na capital, Sanaa, e nas cidade de Taiz e Áden. Segundo a Reuters, ao menos quatro manifestantes morreram durante os protestos, que foram convocados pela internet e pedem a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos.

Em Taiz, a polícia usou gás lacrimogênio e atirou para cima para dispersar uma multidão que participava da chamada "Sexta-feira de Fúria". Uma granada foi lançada em direção a um grupo de manifestantes, deixando um morto e pelo menos oito feridos, segundo testemunhas. A granada teria sido lançada por um homem dentro de um carro.

Em Sanaa, a multidão marchou até o palácio presidencial e, no caminho, houve choques com partidários do governo, que deixaram ao menos quatro feridos. A polícia também usou gás lacrimogêneo e tiros para o alto na tentativa de dispersar a manifestação.

Jornalistas também foram alvos de ataque. Segundo um repórter da agência Associated Press, um grupo de homens armados com paus atacaram uma equipe de TV e destruíram um câmera. Vários fotógrafos também precisaram se refugiar em prédios vizinhos para evitar a confusão.

O presidente Saleh já fez algumas concessões aos manifestantes, como a promessa de deixar o poder em 2013 e não transferi-lo ao seu filho. Partidos de oposição aceitaram uma oferta de diálogo com o governo, mas manifestações espontâneas continuam ocorrendo.

Líbia

Na segunda maior cidade da Líbia, Benghazi, milhares protestam contra o governo em frente ao principal tribunal local. A manifestação foi reprimida por forças de segurança e, segundo a rede de TV americana CNN, os confrontos desta sexta-feira deixaram ao menos 20 mortos.

A cidade foi palco de violentos choques entre manifestantes e policiais nos últimos dois dias. De acordo com testemunhas, os manifestantes que estão em frente ao tribunal planejam realizar uma marcha até o hospital para, depois, levar os corpos até o cemitério.

Confrontos violentos estariam acontecendo em cinco cidades da Líbia. Em Trípoli, governistas realizam manifestações diárias em apoio ao presidente Muamar Kadafi. O líder foi até à principal praça da cidade para cumprimentar partidários na manhã desta sexta-feira, de acordo com imagens exibidas pela TV estatal.

Bahrein

No Bahrein, soldados lançaram gás lacrimogêneo e atiraram contra manifestantes que desafiaram a proibição a protestos determinada pelo Exército na quinta-feira. Segundo a agência AP, os confrontos deixaram ao menos 50 feridos. De acordo com a rede de TV CNN, ao menos quatro morreram.

Os choques começaram horas depois do enterro de dois homens mortos em protestos anteriores. Dezenas de milhares de pessoas compareceram aos enterros, muitos carregando cartazes e cantando slogans de oposição ao xeque Hamad bin Isa Al-Khalifa.

AP
Manifestantes protestam durante funeral de jovem na vila de Sitra, no Bahrein

Os caixões foram envoltos em bandeiras do país e levados em cortejo pelas ruas do bairro. A multidão presente gritava pedindo "justiça, liberdade e monarquia constitucional". Alguns disseram que estavam dispostos a sacrificar suas vidas para derrubar o governo.

Pouco depois, as preces de sexta-feira se converteram em mais uma oportunidade de protesto. Em uma mesquita, xiitas gritavam "vitória ao Islã" e morte à família real bareinita.

As pelo menos quatro mortes registradas nos protestos dos últimos dois dias elevaram as tensões no Bahrein. Demandas prévias por reformas constitucionais agora evoluíram para um pedido mais geral, pela remoção da dinastia sunita que governa o país há mais de 200 anos.

O príncipe herdeiro do Bahrein, considerado um reformista na monarquia do golfo árabe, pediu calma na sexta-feira, afirmando que está na "hora do diálogo, não de lutas". "O diálogo está sempre aberto e as reformas continuam", disse o príncipe herdeiro xeque Salman bin Hamad al-Khalifa à TV do Barein. "Essa terra é para todos os cidadãos do Bahrein... Todas as pessoas honestas devem dizer 'basta' neste momento."

Jordânia

Na Jordânia, manifestantes antigoverno protestaram pela sétima sexta-feira consecutiva. Nas ruas da capital, Amã, cerca de dois mil estudantes, conservadores muçulmanos e ativistas de extrema esquerda pediram reformas constitucionais, mais liberdade e redução no preço dos alimentos.

Houve confrontos com cerca de 200 partidários do governo e oito manifestantes ficaram feridos. Opositores disseram que os governistas estavam armados com bastões, canos e pedras. "Eles nos bateram e nós tentamos nos defender, bater de volta", airmou o estudante Tareq Kmeil. "Os policiais não fizeram nada para nos proteger, apenas ficaram lá olhando."

A onda de protestos levou o rei Abdullah 2º a empossar um novo governo no início do mês. O gabinete agora é comandado pelo ex-general Marouf Bakhit, que prometeu ampliar as liberdades individuais.

Djibuti

A sexta-feira também foi de protestos no Djibuti, pequeno país do leste da África com cerca de 750 mil habitantes. Um opositor disse que autoridades usaram bastões e gás lacrimogênio para dispersas milhares de manifestantes que saíram às ruas para exigir a renúncia do presidente Ismail Omar Guelleh, que está no segundo mandato e disputará mais uma eleição em abril.

No ano passado, Guelleh mudou a Constituição do país, que determinava um limite de dois mandatos presidenciais. A família do líder está no poder no Jibuti há mais de três décadas.

Na eleição de 2005, Guelleh foi candidato único. Agora, um de seus potenciais adversários é Abdourahman Boreh, que vive em Londres mas já demonstrou seu apoio às manifestações contra o presidente.

Diversas bases militares estão localizadas no Djibuti, incluindo a única base americana na África.

Com EFE, Reuters e BBC

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