Milhares protestam contra governo durante funeral na Síria

Choques entre manifestantes e forças de segurança no domingo deixaram ao menos 12 mortos, segundo oposição

iG São Paulo |

Milhares de sírios exigiram nesta segunda-feira a renúncia do presidente do país, Bashar al-Assad, durante o enterro de oito manifestantes mortos na noite de domingo. As vítimas teriam morrido quando forças de segurança abriram fogo contra os participantes de um protesto antigoverno na cidade de Homs.

"De beco em beco, de casa em casa, queremos derrubar você, Bashar", entoavam os manifestantes, de acordo com uma testemunha presente ao funeral.

Ainda segundo testemunhas, forças de segurança acompanharam o funeral mas não interferiram na manifestação. Além dos oito mortos em Homs, a cerca de 160 quilômetros de Damasco, choques entre manifestantes e forças de segurança também teriam deixado quatro mortos nas cidades de Latakia e Idlib.

Os protestos são a maior ameaça já enfrentada pelo presidente da Síria, que sucedeu seu pai, Hafez, depois de sua morte em 2000. No sábado, Bashar al-Assad afirmou que vai pôr fim ao estado de emergência que vigora no país há quase 50 anos.

O anúncio foi feito durante discurso dirigido a seu novo gabinete, transmitido pelas redes de TV. Assad afirmou aos novos membros do gabinete que havia pedido a uma comissão que analisasse a medida. "A comissão concluiu seus trabalhos na quinta-feira e as recomendações serão passadas ao governo, para entrem em vigor imediatamente. Não sei em quantos dias isso ocorrerá, mas creio que o prazo máximo será o fim da semana que vem", afirmou o presidente.

O cancelamento das leis de emergência é uma das principais demandas dos manifestantes, que aumentaram a pressão contra o governo na semana passada.

Na sexta-feira, dezenas de milhares de sírios saíram às ruas em Damasco, em um dos maiores protestos desde o início das manifestações, há mais de um mês. Forças de segurança usaram cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. As cidades de Deraa, Latakia e Baniyas, entre outras, também foram palco de grandes manifestações.

Segundo o grupo de defesa de direitos humanos Human Rights Watch, os serviços de segurança e inteligência da Síria estão "detendo arbitrariamente", torturando e maltratando centenas de manifestantes em todo o país.

Líderes da oposição afirmam que mais de 200 pessoas já morreram desde o início dos protestos. Autoridades sírias, no entanto, afirmam que as vítimas não são somente civis, mas também integrantes das forças de segurança. Representantes do governo culpam grupos armados pelas mortes no país.

Com AP e BBC

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