Seis manifestantes foram mortos por disparos; Reino Unido convoca embaixador sírio para questionar violência contra mobilização

Milhares desafiaram uma dura repressão e voltaram às ruas de várias cidades da Síria nesta sexta-feira, em um novo dia de protestos contra o regime de Bashar al-Assad, que mantém um forte contingente militar para reprimir as manifestações.

Ao menos três manifestantes morreram por tiros das forças governamentais em Homs, no centro da Síria. Uma das vítimas, um homem de 40 anos, recebeu um disparo "na cabeça". Na capital Damasco, segundo ativistas, dois manifestantes morreram. O vilarejo próximo a Daraa, cidade no sul do país, também registrou uma morte.

Após a nova jornada de protestos, o governo sírio anunciou que nos próximos dias será realizado um diálogo nacional. O ministro da Informação sírio, Adnan Mahmoud, declarou em Damasco que "o presidente recebeu personalidades das diferentes províncias para escutar suas opiniões e demandas", afirmando que as forças militares foram mobilizadas para deter os grupos armados, e não para reprimir os protestos.

Os protestos ocorrem em meio ao aumento de pressão internacional contra a repressão. O Ministério das Relações Exteriores britânico anunciou que convocou nesta sexta-feira o embaixador da Síria no Reino Unido, Sami Khiyami, e o ameaçou com "mais sanções", no âmbito de uma ação coordenada da União Europeia (UE), se o regime não acabar com a repressão dos protestos.

"O diretor político do Ministério das Relações Exteriores, Sir Geoffrey Adams, disse que a menos que o governo sírio ponha fim às mortes de manifestantes e liberte os presos políticos, o Reino Unido, juntamente com seus parceiros da União Europeia, tomará as medidas para colocar o regime diante de suas responsabilidades", segundo comunicado. "Essas medidas incluirão mais sanções contra os níveis mais altos do regime, com restrições para viajar e o congelamento de bens", disse.

Questionado pela AFP, um porta-voz do ministério informou que a convocação era "parte de um movimento coordenado da União Europeia". "Os alemães já convocaram o embaixador", acrescentou, sem poder informar quantos países estavam envolvidos nessa ação.

Nesta sexta-feira, o escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas disse que o número de mortos na Síria pode chegar a 850 e milhares de manifestantes têm sido presos durante a repressão militar de dois meses.

Protestos

Como tem sido habitual, o protestos começaram depois das preces do meio-dia de sexta-feira na capital do país, Damasco, e em cidades como Hama, Homs e Idlib, ao norte da capital, e Deir el Zur, ao oeste, segundo vários grupos opositores.

O início da jornada de protestos, batizada de "Sexta-feira dos livres", sofreu repressão das forças de ordem, que dispersaram com violência uma manifestação em um bairro de Damasco, onde houve várias detenções.

As forças de segurança lançaram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes na cidade de Daria, a leste da capital. A emissora opositora "Sham" disse haver uma grande manifestação em Hama para pedir a queda do regime sírio e o fim do bloqueio de cidades como Deraa, no sul, e Baniyas, no litoral mediterrâneo.

Na cidade de Idlib, cerca de 3 mil participaram dos protestos sob forte repressão. Nessa cidade, os manifestantes gritaram frases pedindo a derrubada do regime e mostrando seu apoio à cidade de Homs, que há uma semana foi alvo de uma dura repressão por parte das forças da ordem.

Os protestos ocorrem apesar de os tanques do Exército estarem presentes em várias cidades. Nos últimos dias, inúmeros ativistas foram detidos. Vários grupos denunciaram na véspera uma ampla campanha de detenção de opositores  em diferentes pontos do país, entre eles o ativista de direitos humanos Mohammed Nayati Tayara e o marido da conhecida ativista Razan Zaituneh.

*Com AFP e EFE

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