Milhares de sírios vão às ruas em protesto contra governo

Segundo ativistas, protestos que acontecem em diversas áreas do país reúnem 200 mil somente em Homs e enfrentam repressão

iG São Paulo |

Centenas de milhares de sírios foram para as ruas nesta sexta-feira protestar contra o presidente Bashar al-Assad, disseram ativistas, um dia depois de o maior aliado da Síria, a Rússia, ter aumentado o tom das críticas a Damasco em um esboço de resolução da Organização das Nações Unidas (ONU).

Saiba mais: Rússia propõe resolução contra Síria no Conselho de Segurança

AFP
Foto divulgada pela agência oficial síria mostra forças de segurança carregando em base de Damasco caixão de militar que teria morrido em meio à violência do país (15/12)

Ativistas e moradores disseram que as forças sírias abriram fogo contra os manifestantes em diversas localidades pelo país, em meio ao envio do Exército de reforços ao sul, onde desertores recentemente lançaram violentos ataques contra tropas .

O Comitê de Coordenação Local (CCL) e o Observatório Sírio dos Direitos Humanos disse que uma pessoa foi morta durante tiroteio em Homs e que um homem que ficou ferido em Daraa acabou morrendo no hospital.

As mortes de sexta-feira aconteceram, segundo ativistas, após as orações de meio-dia nas cidades de Deir al-Zour e Homs, no leste, reduto da oposição aos quarenta anos de governo repressivo da família Assad.

Em Homs, 200 mil manifestantes participaram de uma marcha, disse o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, e imagens transmitidas pela televisão Al Jazeera mostraram forcas com cinco efígies penduradas, incluindo uma de Assad.

Não foi possível verificar o número de manifestantes, já que a Síria proibiu a entrada de grande parte dos jornalistas independentes, mas se o número for confirmado, esses são os maiores protestos realizados em várias semanas.

O Observatório também registrou um tiroteio próximo a uma mesquita na cidade de Deir el-Zour, mas não ficou claro se houve mortes no local.

O CCL afirmou que as manifestações dessa sexta aconteceram em vários locais de toda a Síria - de Daraa aos subúrbios de Damasco, em Homs e Hama no centro do país e no norte, na cidade de Aleppo.

As manifestações acontecem um dia depois que desertores do Exército mataram 27 soldados em Daraa em ataques aparentemente coordenado. O confronto na Síria foi classificado pela ONU como uma guerra civil que, em nove meses, matou 5 mil pessoas .

O CCL disse que soldados foram enviados em diferentes áreas de Daraa nessa sexta, e que a eletricidade foi cortada em muitas áreas. Daraa, onde a revolta teve início, está entre as regiões mais tensas do país.

Por conta da tensão, o chanceler canadense, John Baird, disse na quinta-feira que os canadenses que moram na Síria deveriam sair assim que possível enquanto os voos comerciais continuam disponíveis.

Na quinta-feira, a Rússia apresentou um esboço de resolução sobre a violência na Síria ao Conselho de Segurança da ONU, oferecendo uma chance para que o painel de 15 nações supere um impasse e entregue seu primeiro comunicado contra a repressão promovida por Assad.

O Conselho estava dividido entre os países ocidentais que criticam duramente a Síria de um lado, e de outro Rússia, China e os países não alinhados, que se recusam a culpar Assad pela violência.

Diplomatas ocidentais acreditam que uma resolução firme do Conselho de Segurança apoiada pela Rússia, aliado de longa data da Síria e seu fornecedor de armas, possa fazer diferença aos esforços de lidar com a crise.

Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções e pedem que Assad renuncie. A vizinha Turquia tomou medidas similares e mesmo a Liga Árabe declarou sanções contra a Síria, embora tenha por várias vezes estendido um prazo para que a Síria aprove uma fórmula para acabar com a crise.

No último sinal do pesado preço que a Síria está pagando pelo banho de sangue, a Turquia disse nesta sexta-feira que Damasco perderia mais de US$ 100 milhões por ano em rendas de transporte com Ancara ignorando o turbulento país e abrindo rotas de exportação alternativas para o Oriente Médio e o Golfo.

O Ministério turco da Economia disse que havia finalizado as conversas para começar a exportar bens ao Egito via mar em janeiro, e dali para os países do Golfo para evitar a Síria.

Com AP e Reuters

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