Milhares de marroquinos desafiam proibição de protestar

Após protestos do início da semana, manifestações foram proibidas, mas pessoas voltaram às ruas com fita vermelha na boca

EFE |

Milhares de pessoas do "Movimento 20 de Fevereiro" saíram às ruas neste sábado de forma pacífica em várias cidades do Marrocos para reivindicar uma "Constituição democrática", apesar da advertência oficial sobre a proibição de mobilizações. Em referência a proibição, usavam fitas vermelhas na boca.

AFP
Manifestantes usaram fita vermelha na boca em protesto a ordem para não protestar
Em Rabat, cerca de 100 pessoas se reuniram na praça de Bab el-Had, junto à medina. "O povo quer uma nova Constituição", "o Governo atual e o Parlamento não representam o povo" e "Corrupção ou manifestação" eram algumas das frases escritas nos cartazes dos manifestantes. Na cidade de Agadir, situada no sul do país, cerca de 300 pessoas saíram às ruas às 16h do horário local (13h do horário de Brasília), e uma hora depois a manifestação foi dispersada pelas Forças da ordem.

Fontes da Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) na região asseguraram à Agência Efe que pelo menos 30 pessoas ficaram feridas e dois foram detidas. Segundo a AMDH, em Casablanca 4 mil pessoas se reuniram às 15h do horário local (13h do horário de Brasília) na Sahat Al Hamam, situada na frente do Governo civil.

Rodeados por uma forte presença policial, homens e mulheres levantaram cartazes nas quais se podiam ler denúncias contra a corrupção e nas quais se exigia uma revisão da Constituição. "O 20 de fevereiro é um processo que acaba de começar e as manifestações vão continuar por todo Marrocos", disse um Chihab Said, membro da AMDH. 

Marrocos é governada pelo Mohammed que faz parte da dinastia Alawite, cujos integrantes se dizem descendentes diretos do profeta Maomé e governam o Marrocos há 350 anos.

Um protesto similar no final de semana passado começou pacífico e deixou pelo menos uma centena de mortos.

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