Médicos que trataram manifestantes são levados a tribunal no Bahrein

Profissionais de saúde são acusados de tentar derrubar monarquia; veredicto do caso deve sair na próxima semana

BBC Brasil |

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Dezenas de médicos e enfermeiras que trataram manifestantes feridos durante protestos pró-democracia no Bahrein foram levados ao tribunal nesta segunda-feira sob a acusação de tentar derrubar a monarquia.

EFE
Funeral de opositor morto em protestos se tornou manifestação contra o governo em Manama, no Bahrein (3/6/2011)
Os 47 profissionais da área da saúde se apresentaram em um tribunal especial militar na capital do país, Manama. Eles estão detidos desde março, quando o Bahrein decretou estado de emergência, que foi levantado na semana passada. Os manifestantes, em grande parte muçulmanos xiitas, exigiam reformas democráticas e mais direitos para seu grupo religioso, que é majoritário no Bahrein, país governado por sunitas.

Segundo a correspondente da BBC no Catar Stephanie Hancock, os médicos e enfermeiras alegam que estavam cumprindo obrigações profissionais ao tratar todos os pacientes. Hancock diz que os acusados rejeitam a alegação do governo de que estariam apoiando a causa dos manifestantes.

Uma decisão sobre o caso foi adiada para a próxima semana.

Preocupação

Centenas de opositores do regime foram detidos no Bahrein desde março, quando o governo pediu ajuda de países vizinhos da região do Golfo Pérsico - principalmente da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos - para reprimir os protestos.

Mais de 20 pessoas foram mortas devido à repressão das manifestações pelas forças de segurança. Duas pessoas foram condenadas à morte por participar dos protestos, e quatro morreram sob custódia da polícia.

Somente jornalistas selecionados possuem permissão para trabalhar nos recentes julgamentos realizados pelo tribunal especial, formado por juízes civis e militares.

Em abril, a organização Médicos pelos Direitos Humanos (PHR, sigla em inglês) expressou preocupação com os ataques contra médicos, pacientes e civis desarmados desde o início das manifestações, em fevereiro. A entidade afirma que dezenas de médicos foram detidos - em alguns casos, segundo a PHR, sendo levados por homens mascarados na calada da noite.

Autoridades do Bahrein negam estar perseguindo os médicos e alegam que algumas das principais instalações hospitalares do país "foram tomadas pela atividade política e sectária."

Desde o fim da lei de emergência, protestos realizados em vilarejos xiitas foram rapidamente dispersados pela polícia, que usou gás lacrimogêneo, balas de borracha e bombas de efeito moral, segundo indicam vídeos publicados no site YouTube.

O rei do Bahrein, Hamad Al-Khalifa, anunciou que um "diálogo nacional pela reforma" terá início no mês que vem.

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