Mauritânia pode extraditar ex-diretor de Inteligência da Líbia, diz vice-premiê

Considerado braço direito de Muamar Kadafi, Abdullah al-Senussi foi detido no sábado; França também reivindica extradição

iG São Paulo |

O vice-primeiro-ministro da Líbia , Mustafa Abushugur, afirmou nesta terça-feira que o governo da Mauritânia prometeu extraditar a Trípoli Abdullah al-Senussi, ex-chefe de Inteligência militar do regime do ex-líder líbio Muamar Kadafi .

Prisão: Ex-diretor de inteligência da Líbia é detido na Mauritânia

AP
Foto de agosto mostra Senussi em hotel em Trípoli, capital da Líbia

Em declarações à imprensa depois de se reunir com o chefe de Estado da Mauritânia, Mohammed Abdel Aziz, Abushugur indicou que o braço direito de Kadafi tem de ser extraditado porque "é um cidadão líbio que deve ser submetido a um julgamento justo em seu país".

Senussi, de 62 anos, viajou para a capital da Mauritânia, Nouakchott, com um passaporte falsificado na última sexta-feira vindo de Casablanca, em um voo da Royal Air Maroc. Até agora, no entanto, nenhuma fonte oficial marroquina explicou sua presença nesse país.

Abushugur, que chegou na segunda-feira à capital mauritana para pedir a extradição de Senussi, disse que o presidente do país “se comprometeu de forma positiva com esse assunto (da extradição à Líbia)".

A Mauritânia foi um dos últimos países a reconhecer o novo regime líbio, já que o presidente mauritano é um dos líderes que mantinham melhores relações com o regime de Kadafi.

Também nesta terça-feira, ativistas e partidos políticos minoritários que militam contra a influência dos países ocidentais se opuseram à extradição de Senussi.

França

A França também reivindicou a extradição do braço direito de Kadafi, pois considera que ele tenha envolvimento com o atentado terrorista de 19 de setembro de 1989 contra um avião da UTA, que causou a morte de 170 pessoas, sendo 54 francesas.

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Já o Tribunal Penal Internacional (TPI) exige sua extradição a Haia para julgá-lo por "crimes contra a humanidade" cometidos na Líbia a partir de fevereiro de 2011, quando teve início o levante opositor pela queda de Kadafi.

A Mauritânia, no entanto, não é signatária do Estatuto de Roma, que rege o funcionamento do TPI, e por isso não é obrigada a responder diretamente a uma ordem de detenção de qualquer suspeito.

*Com EFE

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