Marrocos vai às urnas em meio à Primavera Árabe

Marroquinos escolhem novo Parlamento na primeira eleição desde reforma constitucional que buscou aplacar protestos

iG São Paulo |

Cerca de 13,6 milhões de eleitores vão às urnas no Marrocos nesta sexta-feira para escolher um novo Parlamento, em eleições antecipadas pelo rei Mohammed 6º para conter protestos inspirados na Primavera Árabe. Os marroquinos votam para eleger os 395 deputados da Câmara de Representantes até às 19h (horário de Brasília), quando as urnas serão fechadas.

AP
Mulheres votam em Rabat, no Marrocos

Como outros países do mundo árabe, o Marrocos foi palco de manifestações pró-democracia em 2011. O rei Mohammed 6º respondeu aos protestos com uma reforma na Constituição e a antecipação das eleições, conseguindo impedir que tomassem a proporção das revoltas de Egito e Tunísia.

Pela nova Constituição, aprovada em julho, o rei continua tendo autoridade absoluta sobre todas questões militares e religiosas, além de escolher o primeiro-ministro. Porém, agora este tem de ser membro do partido mais votado na eleição parlamentar.

Embora as pesquisas eleitorais sejam proibidas por lei, três partidos despontam como possíveis vencedores: o Partido islâmico Justiça e Desenvolvimento (PJD), o partido nacionalista Istiqlal (PI), que ganhou as eleições de 2007, e a coalizão liberal recém- formada e liderada pelo partido Reagrupamento Nacional de Independentes (RNI).

Três partidos de extrema-esquerda, o movimento islâmico proibido Justiça e Caridade e o 20 de Fevereiro boicotaram as eleições por considerarem que o governo não está seriamente comprometido com as reformas.

No bairro rico de Agdal, em Rabat, os eleitores faziam fila para votar. “Sempre participei, mas dessa vez é mais importante”, afirmou Mohammed Ennabli. “Antes era o rei que escolhia, agora é o povo”.

Para a votação, o país foi dividido em 92 circunscrições, que elegerão 305 deputados, somados a outras 90 cadeiras, das quais 60 são reservadas para mulheres e 30 para jovens).

Os partidos políticos recorreram a vários símbolos para facilitar o voto aos analfabetos, como uma espiga de trigo, cavalo, barco, livro, leão, camelo, trator, lâmpada, entre outros. 

A campanha eleitoral, que começou em 12 de novembro e terminou na quinta à noite, transcorreu em relativa normalidade e sem incidentes maiores.

Com AP e EFE

    Leia tudo sobre: marrocosmundo árabeeleição

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG