Manifestantes tomam 2ª maior cidade da Líbia, dizem testemunhas

Se oposição mantiver Benghazi sob controle, ditadura vai sofrer segundo grande revés: hoje, perdeu representante na Liga Árabe

Reuters |

AP
Kadafi, ditador da Líbia
O governo do ditador Muammar Kadafi, que governa a Líbia com brutalidade há 41 anos, sofreu dois grandes reveses neste domingo, contam testemunhas. Segundo relatos à agência de notícias Reuters, as ruas de Benghazi (segunda maior cidade, que fica a cerca de 1.000 km a leste da capital, Trípoli) estão agora sob o controle dos manifestantes antigoverno, sofrendo ataques periódicos das forças de segurança, que atiram de dentro do seu quartel murado.  Há poucos jornalistas no país, uma vez que a entrada deles foi vetada pelo governo.

Caso os manifestantes consigam realmente tomar a cidade, este será o segundo grande revés do dia contra Kadafi. Hoje, o representante permanente do país na Liga Árabe (uma associação que reúne as principais nações da região e tem peso político considerável), Abdel Moneim al Honi, disse que vai se demitir do cargo para "se unir à revolução" e protestar contra "a repressão e a violência contra os manifestantes", segundo relato da agência AFP. O ditador do Egito, Hosni Mubarak, começou a cair quando funcionários do alto escalão do governo começaram a deixar seus postos e a se unir aos manifestantes.

Porém, ainda é cedo para dizer que o ditador está ameaçado. A Líbia é um dos países mais fechados do mundo, fortemente controlado pelo seu ditador, e há poucos observadores internacionais analisando a situação política local. 

Os manifestantes e as mortes

Segundo os moradores de Benghazi , os manifestantes começaram a tomar as ruas da cidade para enterrar os muitos mortos das últimas 24 horas. Em seguida, esses enterros se transformaram em protestos e cresceram, mostrando que, apesar das baixas, os manifestantes estão resistindo ao regime. O próximo passo, contam eles, foi tomar as ruas da cidade.

Até este domingo, pelo menos 173 pessoas morreram nos protestos na Líbia, mas esse número provavelmente é bem maior. Ainda segundo as testemunhas ouvidas pela Reuters, várias pessoas foram assassinadas pelas forças de segurança. Há risco de massacre.

Os manifestantes, inspirados pelos protestos nos vizinhos Tunísia e no Egito, exigem o fim da ditadura de Kadafi. Suas forças de segurança vem respondendo com violência e seu governo está controlando as comunicações, inclusive cortando o acessoas das pessoas à internet.

"Houve um massacre aqui ontem à noite", disse à agência Reuters por telefone um morador que não quis se identificar. Ainda neste domingo, um dos principais líderes dos protestos, que pediu anonimato, disse que as forças de segurança, que estavam confinadas, deixaram os alojamentos nos quartéis e atiravam nos manifestantes nas ruas, como "uma perseguição de gato e rato."

Os confrontos aconteceram em uma estrada que leva a um cemitério, onde milhares de pessoas foram enterrar seus mortos."A situação é muito tensa e vários incêndios irromperam no quartel general do comitê revolucionário e em outros edifícios", ele disse. Outro morador disse que cerca de 100 mil manifestantes dirigiram-se ao cemitério "para enterrar dezenas de mártires".

Outra testemunha disse à Reuters que milhares de pessoas realizaram rituais de orações em frente aos 60 corpos expostos na cidade. Mulheres e crianças estavam entre a multidão de centenas de milhares de manifestantes que foram até a orla marítima mediterrânea e à área ao redor do porto, ele disse.

Protestos concentrados

A Líbia é um dos vários países árabes ou muçulmanos a enfrentar protestos pró-democracia desde os levantes populares que levaram à queda do presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, em janeiro. Desde então, os protestos populares também forçaram a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak, no dia 11 de fevereiro.

Com AFP e Reuters.


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