Opositores ao regime de Bashar Al-Assad expressaram sua rejeição a uma intervenção militar estrangeira no país

Imagem retirada de vídeo mostra um manifestante pedindo intervenção internacional na Síria
AFP
Imagem retirada de vídeo mostra um manifestante pedindo intervenção internacional na Síria
Milhares de sírios pediram pela primeira vez nesta sexta-feira por proteção internacional diante da repressão exercida pelo regime de Bashar Al-Assad.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), as tropas encarregadas de abafar os protestos atiraram nos manifestantes, matando quatro civis, entre eles, um adolescente em Deir Ezzor.

Mesmo com a manutenção da violência por parte das forças de segurança, os militantes pró-democracia não desistem de sua luta. "Os sírios pedem que a ONU adote uma resolução por uma missão de observadores permanentes na Síria", escreveram em sua página do Facebook The Syrian revolution 2011.

"Pedimos a entrada de observadores internacionais, da imprensa internacional", que não são autorizados a cobrir livremente os eventos no país, e "a proteção de civis", acrescentaram.

Segundo o OSDH, dezenas de milhares de pessoas protestaram em todo o país, sendo mais de 20.000 pessoas em Homs e várias dezenas de milhares em Idleb. Em Hama, cidade tradicionalmente hostil ao regime de Assad, os manifestantes gritavam: "Queremos proteção internacional".

Os manifestantes também expressavam a sua rejeição a uma intervenção militar estrangeira na Síria para proteger a população civil, como ocorre com a Líbia, denunciando a falta de solidariedade internacional frente à repressão.

No subúrbio de Damasco, em Tal, as forças de segurança atiraram para o ar e lançaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar mil manifestantes, mas a multidão voltou a se reunir em um outro bairro, sendo novamente reprimida, segundo militantes pró-democracia.

O pedido mostra um aumento na frustração - e do desespero - de um movimento extremamente resistente que enfrenta um regime que ainda tem as Forças Armadas do seu lado, a chave do poder de Assad.

Apesar disso, um de seus maiores aliados, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pediu ao governo sírio que dialogue com a oposição , num sinal da preocupação do governo iraniano com o movimento.

Em entrevista concedida na quarta-feira à emissora portuguesa RTP, Ahmadinejad disse que a repressão militar "nunca é a solução correta", segundo relato feito pela agência de notícias iraniana Fars.

Em Washington, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, disse que os manifestantes da Síria estão pedindo por uma ação do tipo que os Estados Unidos queriam que o Conselho de Segurança adotasse. "Eles estão pedindo que o governo sírio permita que órgãos internacionais de monitoramento entrem na Síria para acompanhar a situação dos direitos humanos", afirmou.

"Nós estamos trabalhando com alguns membros do Conselho de Segurança para chegar a uma nova resolução que não somente possa fornecer esse tipo de monitoramento dos direitos humanos, mas também possa fortalecer sanções contra o regime de Assad".

O líder da Liga Árabe, Nabil al-Aeabi, é aguardado no sábado na Síria, onde deve apresentar a Assad um plano para a suspensão imediata da repressão e a realização de uma eleição presidencial em 2014, no final de seu mandato.

Segundo a ONU, pelos menos 2.200 pessoas foram mortas desde o início das manifestações em meados de março, em sua maioria civis.

Em Moscou, o presidente russo Dmitri Medvedev considerou na quinta-feira à noite que uma "mensagem severa" deve ser enviada não apenas ao poder sírio, mas também à oposição, afirmando que alguns opositores podem ser classificados como "terroristas".

* Com AFP e AP

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