Manifestantes sírios atiram ovos contra grupo de oposição no Cairo

Líderes do Comitê Nacional de Coordenação são acusados de compactuar com o regime de Assad em vez de tentar derrubá-lo

iG São Paulo |

Manifestantes sírios atiraram ovos contra líderes de um grupo da oposição nesta quarta-feira do lado de fora da sede da Liga Árabe, no Cairo. Esse grupo é acusado de compactuar com o governo do presidente Bashar al-Assad em vez de trabalhar para derrubá-lo.

Leia também: Repressão a protestos matou 3,5 mil na Síria, diz ONU

AP
Manifestantes sírios impedem Abdul-Aziz al-Khair, membro do Comitê Nacional de Coordenação, de entrar na Liga Árabe

O ataque evidencia uma crescente incongruência entre os opositores, que estão lutando para superar os ataques das forças do governo contra os manifestantes que persistem, apesar do acordo firmado entre Damasco e a Liga Árabe para cessar a violência. Segundo a AP, os agentes mataram pelo menos 13 civis nesta quarta.

Os dois maiores grupos da oposição, o Comitê Nacional de Coordenação e o Conselho Nacional da Síria, estão divididos em questões importantes das revoltas no país que já duram oito meses, incluindo se irão pedir ajuda militar internacional ou aceitar o diálogo com o regime. As divisões não permitem que a oposição mostre a força necessária para ser uma alternativa crível ao governo de Assad.

Nesta quarta-feira, cerca de 100 manifestantes jogaram ovos e tomates nos quatro homens do Comitê Nacional de Coordenação, enquanto o grupo tentava entrar na sede da Liga Árabe para uma reunião. Críticos disseram que o comitê, que reúne ativistas e ex-prisioneiros políticos, se mostra tolerante e disposto a dialogar com o regime.

Essa postura fez com que alguns manifestantes anti-governo carregassem cartazes com os dizeres: "O Comitê Nacional de Coordenação não me representa."

"O que aconteceu hoje no Cairo é um sinal do desencantamento que se vê nas ruas da Síria com o CNC e suas diretrizes, que vão contra às vontades populares", afirmou Ausama Monajed, um membro do Conselho Nacional da Síria. "Não deve haver diálogo com esse regime. Não antes, nem depois da saída de seus tanques das ruas."

Membros da delegação do comitê, que também foram recebido com gritos de "traidores" foram forçados a voltar nesta quarta, mas o chefe da delegação, Hassan Abdul-Azim, conseguiu entrar pelo prédio da Liga Árabe por outra entrada e se encontrou com o secretário-geral Nabil Elaraby.

Abdul-Azim descreveu as acusações de que seu grupo estava cooperando com o regime sírio como "sem sentido". "Nós somos uma oposição patriótica e rejeitamos excluir qualquer grupo, mas outros qurem nos excluir, porque rejeitamos a intervenção internacional na Síria", afirmou depois da reunião.

Elaraby condenou o ataque e disse que a Liga Árabe está aberta pra todos os grupos da oposição síria. "O que aconteceu no Cairo é completamente inaceitável", disse Sada Hamzeh, dissidente síria, membro do comitê.

Ela sugeriu que partidários do Conselho Nacional Sírio estavam por trás do ataque. "É como se todos que estivessem fora do conselho fossem traidores, é um outro tipo de ditadura."

Enquanto a oposição luta para unificar suas demandas, os confrontos com as forças do governo no país continuam.

Na semana passada, a Síria acordou com a Liga Árabe que cessaria com a violência, o que não foi cumprido. De acordo com a ONU, mais de 3,5 mil foram mortos desde o início do conflito. Esse número incluiu os óbitos após o trato com a liga.

O acordo também incluía um prazo para um diálogo com a oposição síria.

Minas na fronteira

O presidente do Líbano, Michel Suleiman, confirmou nesta quarta-feira que a Síria colocou minas em sua fronteira com o país, com o objetivo de evitar o contrabando de armas e a entrada ilegal de imigrantes. "Síria colocou minas ao longo da fronteira para evitar as infiltrações e o contrabando", disse Suleiman ao jornal Al Liwa.

Até o momento, as autoridades libanesas tinham rejeitado comentar a colocação de minas na fronteira, apesar de a imprensa local ter mostrado imagens que comprovariam as afirmações. A proliferação de minas nas áreas de fronteira foi muito criticada por ativistas e agricultores libaneses, que não podem colher seus produtos por medo da explosão dos artefatos.

Na entrevista, Suleiman também afirmou que a Síria e o Líbano estão mantendo conversas, após as forças sírias terem entrado em território libanês em distintas ocasiões para perseguir os opositores de Assad.

Segundo o presidente do Líbano, a Síria expressou seu "pesar pelas violações não desejadas" da soberania do país. O governo libanês, liderado pelo grupo xiita Hezbollah, acusa a oposição e a imprensa de exagerar nas informações sobre esses incidentes, enquanto a oposição considera o governo cúmplice das autoridades sírias.

Além disso, os dois países reforçaram as medidas de segurança na fronteira comum, o que impediu um maior fluxo de sírios que fogem da repressão em seu país.

Com AP e EFE

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