Milhares fazem 'protesto da última chance' no Egito

Manifestantes lotam Praça Tahrir no que promete ser um dos maiores atos para exigir a saída da junta militar do poder

iG São Paulo |

Dezenas de milhares de manifestantes lotam a Praça Tahrir, no centro do Cairo, nesta sexta-feira, no que promete ser um dos maiores protestos contra a junta militar que governa o país desde a queda do ex-presidente Hosni Mubara k, em fevereiro.

Organizadores chamaram a manifestação de “sexta-feira da última chance” para exigir que os militares transfiram o poder a uma autoridade civil imediatamente. A meta é reunir pelo menos um milhão de participantes.

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EFE
Vista geral mostra a praça Tahrir lotada dutante a noite de sexta-feira no Egito

Ao menos dois partidos, os salafistas de Al Nour e o grupo da Gamaa Islamiya, participam da manifestação desta sexta. O principal movimento islamita, a Irmandade Muçulmana, afirmou que não estaria presente para "não impor obstáculos ao processo eleitoral". A primeira etapa da votação parlamentar egípcia está marcada para o dia 28.

Ambulantes vendendo alimentos percorrem a praça misturados aos manifestantes que gritam palavras de ordem como "liberdade, liberdade" e "o povo quer a queda do marechal", uma alusão a Hussein Tantawi, chefe da junta militar.

O prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, líder pró-democracia do país, foi à praça e participou das orações. Em comunicado, justificou a rápida permanência dizendo que "não estava ali para fazer campanha eleitoral".

Diante da possibilidade de confrontos entre manifestantes e policiais, a junta militar pediu na quinta-feira "união e controle para evitar que o país entre em um estado de caos".

Na manhã desta sexta-feira, os militares nomearam oficialmente Kamal Ganzouri ao cargo de primeiro-ministro , com a incumbência de formar um "governo de salvação nacional". Na noite de quinta-feira a imprensa estatal divulgou que Ganzouri tinha sido indicado ao cargo, mas não estava claro se ele tinha aceitado o convite.

O antigo gabinete de Essam Sharaf, nomeado anteriormente pela junta militar, renunciou no começo da semana por conta dos violentos protestos no Cairo e em outras cidades do Egito que deixaram dezenas de mortos.

Na praça Tahrir, a notícia da indicação de Ganzouri não agradou os manifestantes. Alguns viam sua idade - ele é quase octogenário - como um problema. "Ganzouri não é bom para este período de transição, que precisa de líderes jovens, não de avós", disse o estudante Maha Abdullah

Nesta sexta-feira, o governo dos Estados Unidos lamentou as mortes durante os protestos no Egito e pediu que os militares abaram caminho para um governo civil “o mais rápido possível”.

"A plena transferência de poder para um governo civil tem de ocorrer de uma maneira justa e inclusiva que responda às legítimas aspirações do povo egípcio, tão logo quanto possível", afirmou o secretário de imprensa da Casa Branca, Jay Carney, em comunicado.

Também nessa sexta, manifestantes pró-junta militar se reuniram na praça Abbasiya . Partidários do Conselho Supremo das Forças Armadas se reuniram em número menor do que os presentes na praça Tahrir.

Alguns deles seguravam cartazes, onde diziam: "Aos defensores na nação, nós dizemos obrigada". De acordo com a TV estatal, eles gritavam "Povo e Exército estão unidos", "Quem ama o Egito não destroi o Egito" e "Basta! Basta! Deixem as pessoas viverem!"

Com AP, EFE e Reuters

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