Manifestantes são mortos em frente de mesquita na Síria

Forças de segurança dispararam durante protestos antigoverno na cidade de Deraa, deixando ao menos 15 mortos

BBC Brasil |

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Forças de segurança da Síria dispararam contra manifestantes em frente a uma mesquita na cidade de Deraa, deixando ao menos 15 mortos, segundo ativistas de defesa dos direitos humanos.

Centenas de estavam reunidos na rua em frente à mesquita de Omari, tentando impedir que forças do governo invadissem o local. A mesquita tem sido palco de manifestações antigoverno desde sexta-feira. Até agora, os choques entre policiais e soldados na Síria deixaram ao menos 10 mortos.

Mais cedo, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, exortou o governo do presidente Bashar al-Assad a pôr fim ao que chamou de "uso excessivo da força".

"As pessoas têm o direito legítimo de expressar suas reivindicações e demandas em relação a seu governo", disse Pillay. A Uniao Europeia também condenou veementemente o que chamou de repressão "inaceitável".

Após quatro dias de choques, a cidade de Deraa viveu um período de calma na terça-feira. Centenas tinham se reunido em frente à mesquita de Omari, na Cidade Velha, mas foram desmobilizadas por forças de segurança. À tarde, alguns manifestantes armaram tendas em frente à mesquita, dizendo que permaneceriam lá até que suas demandas por mais liberdade política e pelo fim da corrupção fossem atendidas.

Blecaute e ataque

Pouco após a meia-noite, entretanto, a energia e as linhas telefônicas do local foram cortadas. Testemunhas afirmaram que forças de segurança lançaram bombas de gás lacrimogêneo e dispararam contra manifestantes no local.

Um dos manifestantes disse ao serviço árabe da BBC que "um massacre" estava acontecendo no país. "As autoridades sírias estão cometendo um crime contra a humanidade; as vítimas são cidadãos inocentes, indefesos e pacíficos, que estão fazendo protestos pacíficos, e não têm sequer pedras para se defender", disse o manifestante, que pediu anonimato.

A TV estatal afirmou que quatro pessoas tinham sido mortas, e as autoridades atribuíram a violência a uma "gangue armada", que segundo o governo atacou uma equipe médica em uma ambulância, matando um médico, um paramédico e um motorista. Um membro das forças de segurança também teria morrido, de acordo com as informações oficiais.

Apesar de os manifestantes não pedirem a renúncia do presidente, os protestos são o maior desafio a seu governo desde que ele substituiu seu pai, Hafez al-Assad, há 11 anos. A correspondente da BBC em Damasco Lina Sinjab disse que os últimos acontecimentos não têm precedente na história Síria, e a crise deixa o governo seriamente preocupado. O país está sob lei de emergência desde 1963.

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